Online e gratuita, peça apresenta Beethoven e a música clássica para crianças

Em busca de inspiração para criar um espetáculo infantil a pedido da fotógrafa e produtora cultural Priscila Prade, o ator Thomas Marcondes colocou música clássica para tocar. O insight criativo provocado pela Sonata n. 5 de Ludwig Van Beethoven resultou na imagem do começo de BEETHOVEN EM FÁ (PARA MENORES). Com direção e interpretação do próprio autor, a peça inédita abre a programação do Espaço Cultural Bricabraque em exibição online nos dias 29 e 30 de maio, sábado e domingo às 16h horas e com ingressos gratuitos pelo Sympla.

Produzido pela Bricabraque Produções Culturais, tem texto e direção de Thomas Marcondes, direção musical de Kauan Scaldelai, interpretação de Thomas Marcondes e Kauan Scaldelai, iluminação de César Pivetti, fotografia e direção de produção de Priscila Prade. Pode ser feita doação de qualquer valor para o projeto social Evoé para ajudar profissionais de teatro que ficaram em situação de vulnerabilidade na pandemia.

Idealizada para ser encenada para público no Bricabraque, a montagem foi gravada em vídeo no espaço cênico de propriedade de Priscila Prade, na Vila Madalena. “Entramos na fase vermelha [do plano São Paulo de combate à Covid] dias antes da estreia; então, gravamos e agora disponibilizamos o material.” Thomas comenta que não alterou nada do que faria com a presença do público.

“Tudo começou com um convite da Priscila Prade para que eu escrevesse uma peça infantil. Empolgado, aceitei de cara porque gosto de me comunicar com crianças.” Tendo em mente uma encenação para dois atores, convidou para atuar a seu lado Kauan Scaldelai, de quem desejava explorar as facetas musical e clownesca.

Thomas Marcondes é o narrador da história e faz outros personagens na trama, como o pai e o professor. Beethoven é interpretado por um palhaço (Kauan Scaldelai). Com uma narrativa que conversa com o público, a peça aborda com leveza os fatos importantes da vida e a obra de Beethoven, e sua história de superação.

Focada no gestual, a peça utiliza falas somente em momentos específicos da dramaturgia, onde a conversa com o público se mistura à figura do narrador. A montagem segue uma linha cronológica da vida de um dos maiores gênios da música universal, apresentando sua trajetória desde a infância até a decadência, passando pelo sucesso e os desafios enfrentados, como a surdez, que não lhe impediu de criar suas sinfonias.

Entre os fatos marcantes de sua biografia, destacados por Thomas Marcondes no texto, estão a difícil e abusiva relação com o pai, que lhe ensinou a tocar piano na infância. “Depois a relação com seu professor, que o descobriu e o ergueu até o sucesso, passando pela surdez e sua decadência”, ressalta. Ao escrever as primeiras linhas do texto, o ator e diretor já tinha toda a concepção da peça na cabeça. “Mas as coisas se transformavam a cada dia de ensaio e, com a ajuda da equipe de luz e som, chegamos onde precisávamos.”

Com cenário minimalista e figurino divertido, a interlocução entre ator, narrador e público é o fator principal de acordo com Thomas Marcondes. Marcondes não era um grande conhecedor da obra do compositor, de quem sempre gostou. “Por causa da peça, posso dizer que agora sou um grande conhecedor da obra de Beethoven. Passei dias e noites por horas escutando várias músicas e versões da mesma composição para decidir o que usar.”

“Aproximar a música de crianças e adolescentes é fundamental para o desenvolvimento de sua formação. Música estimula o pensamento criativo, abre portas para o desenvolvimento do cérebro, fora o mundo de sensações que traz ao corpo quando a ouvimos. A peça tem essa natureza sensorial, a sensação de se estar em uma orquestra, proporcionando uma vivência musical, contada através da história do maior de todos os músicos. O espetáculo é um convite para que as crianças escutem, brinquem, riam e se encantem com a música de Beethoven e o universo da música clássica”, comenta Priscila.

“É um prato cheio para os pais colocarem seus filhos em contato com o teatro. A experiência proporciona às crianças o importante estímulo da curiosidade. Saber quem foi Ludwig Van Beethoven abrirá nelas um interesse maior por música e cultura. Com um final eletrizante”, instiga Thomas, ressaltando “que nem tudo precisa ser contado ao pé da letra, mas sim de forma lúdica”.

Sinopse

O espetáculo conta a história do músico e compositor alemão Ludwig Van Beethoven, que viveu na época de 1800 e até hoje habita a memória e os ouvidos das pessoas – mesmo que às vezes não se deem conta disso. A bonita e conturbada história do compositor é contada de forma dinâmica e com interação com o público, navegando pela vida do músico que atravessou vários desafios em sua infância e, mesmo assim, se tornou um dos mais conhecidos compositores de todos os tempos.

Ficha técnica – Texto e direção: Thomas Marcondes. Direção musical: Kauan Scaldelai. Assistente de direção e desenho de som: Dugg Mont. Atores: Kauan Scaldelai e Thomas Marcondes. Iluminação: Cesar Pivetti. Direção de produção: Priscila Prade. Produção executiva: Bila Bueno. Fotografia: Priscila Prade. Cenografia e cenotécnico: Maurilio Dias. Realização: Brica Braque Produções Culturais.

Serviço

Dias 29 e 30 de maio às 16 horas. Ingressos gratuitos pelo Sympla. Pode ser feita doação de qualquer valor para o projeto social Evoé pelo próprio Sympla. Recomendada para crianças a partir de 5 anos até a família toda.

https://www.sympla.com.br/produtor/espacoculturalbricabraque

Sobre Thomas Marcondes

Formado em artes cênicas pelo Célia Helena em 2014, com a peça As Horas Vivas, de William Saroyan, e direção de Pedro Granato. Quando me formei me mudei para Curitiba, onde tive uma trajetória de três anos no teatro, em diversos âmbitos. Lá eu fui assistente de cenografia do teatro Regina Vogue, onde fui também bilheteiro. Fui assistente de produção e de direção do dramaturgo e diretor Marcos Damaceno. Nessa parceria tive minha primeira experiência com uma produção premiada, na peça Homem ao Vento. Em Curitiba realizei outros trabalhos com o grupo Surto Criativo, com direção de Maurício Vogue. Por meio dessas parcerias também pude me aperfeiçoar, realizando cursos como o de clown com o palhaço Alípio e oficinas tanto com o Maurício quanto com o Marcos.

Quando retornei a São Paulo, em 2018, me especializei em produção e contrarregragem, a partir de experiências práticas, nas peças: Moliére e O grande sucesso, ambas com direção de Diego Fortes, L o Musical, com direção de Sergio Maggio, no CCBB/SP, Erêndira, com direção de Marco Antônio Rodrigues, no SESI/SP, e o infantil premiado Bento Batuca, com direção de Luciana Ramanzini e Eduardo Leão, com circulação SESC. Como ator fiz o curta metragem independente “Não vai acontecer nada”, com direção de Yorran Furtado. No teatro integrei o elenco de O mistério de Irma Vap, com direção de Jorge Farjalla, com apresentação nos teatros Porto Seguro e Procópio Ferreira. Em 2021, tive a primeira oportunidade de direção, com a peça Beethoven em Fá para menores, projeto idealizado por mim e financiado pela lei de incentivo Aldir Blanc. Nesse processo pude exercer diversas funções criativas: escrevi, dirigi, escolhi elenco e equipe técnica. Para esse primeiro projeto, a parceria com atores, produtores e técnicos amigos e parceiros de trabalho fez toda a diferença.