Dica de livro: “Mãe Sem Manual”, de Rita Lisauskas

Dica de livro: “Mãe Sem Manual”, de Rita Lisauskas

Os textos mais legais de maternidade que tenho compartilhado nos meus grupos de WhatsApp e no meu Facebook pessoal têm sido recentemente da jornalista Rita Lisauskas. São dela, por exemplo, os textos Carta à mãe que vai deixar o filho pela primeira vez na escolaO que aprendemos com as amigas que ganhamos na porta da escola dos nossos filhos, ambos MARAVILHOSOS!

Rita lançou na semana passada pela editora Belas Letras o livro ‘Mãe sem Manual’, para mostrar que não existe maternidade perfeita (reportagem abaixo de Hyndara Freitas, pelo jornal Estado de S.Paulo).

Rita Lisauskas, autora do ‘Mãe sem Manual’, e seu filho Samuel.

Ao longo de 12 capítulos, Rita fala sobre a descoberta da gravidez até o primeiro ano do bebê – que ela gosta de chamar de aniversário de primeiro ano da mãe. Um dos capítulos é intitulado ‘Você está feliz?’, e fala sobre a mistura de sentimentos que uma mulher tem durante a gestação, que vai muito além da alegria. “É um passo para desmistificar essa alegria absoluta que a mulher ‘deve’ ter. Mesmo eu, que tive uma gravidez planejada, fiquei anos tentando engravidar e consegui quando fiz uma fertilização in vitro, quando me vi grávida comecei a me questionar. A felicidade é um dos sentimentos e, às vezes, pode nem ser um deles. Às vezes a barriga demora para crescer, às vezes a mulher não sente os sintomas ou ela fica com muitas dúvidas. Ainda mais nas primeiras semanas, é comum não sentir essa felicidade toda que todo mundo cobra de uma gestante”, explica.

Em outras páginas do livro, Rita fala sobre a ‘temporada de palpites’, que começa assim que a gravidez é anunciada. Com bom humor, ela cita os comentários mais comuns feitos às gestantes e ensina maneiras de lidar com eles. “Olha, tem comentários que são aqueles tipo do ‘tio do pavê’, que são engraçadinhos, mas que na verdade são inconvenientes, então dá para rir e sair andando. Mas tem aqueles que fazem a mulher duvidar da capacidade que ela tem, faz ela pensar que não pode cuidar bem do filho. No caso desses comentários que podem colocar a mulher nessa situação, ela tem que sair andando e ignorar. Eu falo no livro sobre fazer ‘cara de alface’. Até porque, geralmente, esses comentários vêm de pessoas que nem te conhecem e não sabem nada sobre você“, relata Rita.

O primeiro capítulo pode ser lido online clicando aqui.

O livro discute ainda as opções de parto – e faz questão de ressaltar que quem escolhe a cesárea não é ‘menos mãe’. A hora do nascimento do bebê também ganha um capítulo especial, e a autora tenta descrever algumas das sensações que as futuras mães podem sentir, e ainda inclui informações sobre o direito da gestante na hora do parto.

O Mãe sem Manual passa por assuntos como a amamentação, depressão pós-parto, compreensão do choro do bebê e chega até a difícil questão de conciliar trabalho com o cuidado do filho e finaliza com os aprendizados e desafios do primeiro ano na tarefa de mãe. Rita espera que, ao finalizarem a leitura, as mãe e gestantes descubram como a maternidade real é imperfeita e que não respeita os planejamentos.

Eu quero que quem leia meu livro sinta-se abraçada, porque é muita pressão, porque o mundo está dizendo que existem dois jeitos de ser mãe, quando na verdade existem vários. Isso faz com que as mulheres pensem ‘eu não consigo fazer assim, então sou uma mãe horrível’. O livro vem para dar um abraço nessa mulher. A maternidade real é muito diferente do que a gente imagina. Eu costumo dizer que eu era uma ótima mãe até meu filho nascer. Por exemplo, eu tinha dito que não ia dar chupeta para meu filho, mas aí, numa noite muito punk aqui em casa, em que eu e meu marido não conseguíamos dormir, eu fui atrás de uma chupeta que tinha ganhado de uma amiga. Eu não ia dar, mas sei. No dia seguinte, você se sente uma droga de mãe porque tinha dito que não iria fazer assim, mas tudo bem. É assim mesmo, e o livro quer, principalmente, falar para as mulheres que não existe jeito errado e jeito certo de ser mãe. É muita pressão para ser perfeita como mãe. Mas não existe a perfeição, então parem de buscá-la“, diz.

Alô, Editora Belas Letras! Já queremos lançamento desse livro com a  presença da Rita aqui em Brasília!

Autoria de Mari Oliveira
Sou mãe, esposa, filha e irmã off-line. Tradutora, fã dos Beatles e mãe de primeira viagem on-line. No dia 13 de maio de 2011, ouvi Maria Betânia cantar e o obstetra repetir: “Você verá que a emoção começa agora”. Eles estavam certos!