Semana Mundial da Amamentação 2015

Semana Mundial da Amamentação 2015

Todos os anos, na primeira semana de agosto, é celebrada a Semana Mundial do Aleitamento Materno. O tema este ano é “Amamentação e Trabalho: Para dar certo, o compromisso é de todos”.

Não há dúvidas sobre os benefícios fisiológicos, psicológicos e sócio-econômico-culturais da prática do aleitamento materno para a díade mãe/bebê. Sabe-se que a amamentação, isoladamente, é a estratégia de maior impacto capaz de salvar a vida de cerca de 13% das crianças menores de 5 anos em todo o mundo por causas previníveis. O estímulo da amamentação exclusiva salva nada menos que 6 milhões de crianças por ano. Também sabe-se que o leite materno é o melhor alimento que um bebê pode receber nos seus primeiros anos de vida, sendo indicado até dois anos ou mais. Sua superioridade orgânica o torna de melhor digestibilidade, sendo o alimento mais completo para promover o crescimento e desenvolvimento infantil. Crianças amamentadas também estão mais protegidas contra doenças infecciosas. [Fonte].

Ok, todo mundo que procura um pouco de informação chega a esses dados médicos. Agora, o que pouquíssimas mulheres sabem é que amamentar não é assim tão fácil, e nem sempre é natural e lindo como nas fotos das campanhas de saúde.

Eu sempre fui fascinada por amamentação, sempre achei bonita a imagem da mãe com o bebê no colo, disponível com o próprio corpo para amamentar aquela cria. Lembro que ainda em idade escolar eu marcava as páginas dos livros de História que traziam a foto de Rômulo e Remo sendo amamentados por uma loba. Assim, quando engravidei, eu me preparava mais para amamentar que para parir. Então, Júlia nasceu, e graças ao apoio do meu marido, da minha doula, do meu obstetra e da pediatra presente no parto, ela mamou logo na primeira hora de nascida. Eu já tinha colostro há algumas semanas antes dela nascer, e segundo as enfermeiras do hospital, ela tinha acertado a pega de primeira. “Pega perfeita”, como me disseram. Mas não foi bem assim, e os primeiros dias em casa foram muito difíceis. Ao fim da primeira semana, eu estava com os mamilos muito machucados, os seios empedrados, e chorando de dor a cada vez que tinha que amamentar ou tirar o excesso de leite com bomba.

Não era daquele jeito que eu tinha sonhado e planejado, não era daquele jeito que eu via nas fotos, não era daquele jeito que eu tinha visto outras mulheres fazerem durante toda a minha vida.  Mas eu não estava disposta a parar, então me cerquei dos cuidados que podia: tive o auxílio de uma enfermeira, que corrigiu a pega da Júlia (que afinal, diferente do que tinham me dito no hospital, não era nada “perfeita”),  tive a ajuda da minha acupunturista (que tantas vezes me acudiu em casa, à noite, para desempedrar meus seios), procurei ler bastante e tentei não desesperar.

Voltei a trabalhar quando Júlia tinha de 6 a 7 meses, e ainda mamava muitas vezes e em livre demanda, pois demorou a aceitar comida sólida. E com meu retorno ao trabalho, essas “muitas vezes” se reduziram a: quando eu acordava, quando eu ia em casa almoçar e quando eu chegava do trabalho. E ela começou a acordar bastante de noite… Então, eu comecei a dar apenas um peito, pois com o outro eu tirava leite para congelar. Fiz isso até ela completar 9 meses, que foi quando ela começou mesmo a comer comida sem reclamar tanto e eu parei de deixar leite congelado.

Muitas vezes no trabalho eu sentia o seio enchendo, mas lá não existia (e ainda não existe) um local para que as mães que amamentam possam tirar  e congelar seu leite. Mas em compensação, eu tive um chefe (homem!) muito solidário à causa! Muito flexível e muito compreensivo – eu sou tradutora e intérprete, e voltei a trabalhar na época de um grande evento ambiental no Brasil, a Rio+20. Minha presença era necessária, mas como eu amamentava, ele não me exigiu que viajasse. Os colegas da equipe na época também eram nota 10, e sempre me ajudavam para que eu não precisasse ficar além do tempo normal de expediente (pois eu tinha que liberar a babá da Júlia às 18h30), me deixavam levar trabalho para casa, tentavam sempre marcar reuniões em horários em que eu pudesse estar. Sempre gosto de agradecer a eles por isso. Se não fossem meu chefe e equipe, eu certamente não teria conseguido conciliar emprego e maternidade.

Júlia seguiu mamando até 2 anos e 10 meses. A minha experiência foi positiva. Amamentar vale à pena! Procure orientação e ajuda sempre que não estiver correndo tudo bem. E boa sorte!

Lista de bancos de leite de Brasília (onde as enfermeiras podem te orientar sobre a pega do bebê e outras dúvidas sobre amamentação):

http://www.redeblh.fiocruz.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=432

Contato de Soyama Brasileiro, especialista em amamentação: http://manualdama.dominiotemporario.com/parceiros/detalhes/dra.-soyama-brasileiro_materias

Autoria de Mari Oliveira
Sou mãe, esposa, filha e irmã off-line. Tradutora, fã dos Beatles e mãe de primeira viagem on-line. No dia 13 de maio de 2011, ouvi Maria Betânia cantar e o obstetra repetir: “Você verá que a emoção começa agora”. Eles estavam certos!