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O texto de hoje é uma colaboração ao site Roteiro Baby. Foi escrito pela nossa amiga Mariana Caminha, que já apareceu aqui algumas outras vezes, e hoje tem um relato e dicas para dar em relação ao autismo.

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Foto: Carol Caminha

Ser mãe é algo revolucionário. Da gravidez aos primeiros passos na educação dos filhos, acredito que não há nada no mundo mais desafiador e gratificante. Meu nome é Mariana, sou jornalista e mãe de Fabrício e Santiago, meus tesouros. Santi tem apenas 8 meses, e está na fase mais fofa do bebê, cheio de dobrinhas; Fabrício, de 4 anos, é uma das crianças mais felizes que já conheci. Ele foi diagnosticado com autismo aos 3 anos de idade.

Hoje é o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, e é provável que a sua timeline no Facebook mostre isso de alguma forma. Isso porque, apesar de muita gente achar que o autismo está bem longe de casa, os números do transtorno são altos. Estima-se que 1 em cada 68 crianças que nascem hoje seja autista. Essa é uma estatística americana. Pena que ainda não temos uma pesquisa que mostre a realidade brasileira tão a fundo.

Tudo isso para dizer que, apesar do seu filho não ter autismo, ele provavelmente já topou com alguma criança autista na escola, no parquinho, na brinquedoteca. E isso é muito legal, porque o autismo é uma condição neurobiológica, uma forma diferente de ver o mundo. Você sabia que a diversidade é um dos valores mais cultivados em sociedades avançadas? O respeito à diferença é uma lição que todo pai e mãe deve ensinar aos filhos. Essa é a primeira mensagem que gostaria de deixar hoje.

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Em janeiro deste ano, um panfleto criado pela Mari e postado na fanpage do Roteiro Baby no Facebook fez sucesso nas redes sociais. O intuito era derrubar as barreiras da desinformação sobre o autismo. Leia mais em http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2015/02/26/interna_cidadesdf,472921/mae-cria-infografico-para-ajudar-filho-autista-e-arte-repercute-na-int.shtml

Como disse, o Fabrício é uma criança super feliz. Ju-ro. Está sempre rindo, é ativo, adora piscina e tem uma leve obsessão pelo Mickey. Isso não é do autismo. Herdou de mim mesmo. =)

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O Transtorno do Espectro Autista é uma condição tão vasta e tão complexa que a comunidade científica ainda batalha por um consenso. Não se sabe com certeza absoluta as causas do autismo. As pesquisas apontam para a genética, mas não descartam a influência dos fatores ambientais. E quanto aos sintomas, esses também são muito vagos e subjetivos. Muitos autistas têm comprometimento em três áreas: comportamento, linguagem e interação. Mas até isso é complicado, porque muitos autistas são verbais; outros passam a vida sem falar uma frase completa. Uns gostam de se isolar, outros adoram estar junto de outras crianças (mesmo que não consigam interagir com elas). Daí que vem a ideia do espectro autista. Interessante, não? A complexidade da natureza do autismo é a segunda mensagem que quero deixar com vocês.

Nosso Fabrício nasceu autista. Hoje vejo isso com muita clareza, mas sabe como é marinheira de primeira viagem, né? Demorei para entender os sinais. Sabe quando seu filho apontava para as coisas quando era bem pequenininho? Ou dava tchau e virava para você quando chamado pelo nome? Isso sem falar quando ele derretia o seu coração ao soltar um Mã-Mã? Pois é, meu pequeno nunca fez isso na idade esperada. E quando eu esboçava uma leve preocupação, sempre ouvia um “Relaxa, Mari… Cada criança tem seu tempo!”, ou então “Ele tem dois anos e não fala? Nossa, menina, nada a ver! Um primo meu foi falar com 5 anos e hoje é PhD em microbiologia”. Casos assim acontecem, claro, mas não são regra.

Essa é a terceira, e mais importante, mensagem que quero deixar para vocês: o diagnóstico precoce é fundamental para abrandar os sintomas do autismo e dar mais qualidade de vida à criança. Esteja atenta aos chamados marcos do desenvolvimento do seu filho, e não tenha medo de questionar o pediatra, a amiga, os avós. Acredite em mim: melhor pecar pelo excesso…

Não foi fácil fechar o diagnóstico do Fabrício. Por algum motivo, os médicos tem receio de bater o martelo. Tivemos de sair de Brasília e levá-lo a São Paulo para ouvir do neuropediatra: “Não tenho dúvida nenhuma de que ele esteja dentro do espectro”. Foi duro, claro. Choramos, meu marido e eu, por dias. Mas a partir daquele momento sabíamos o que teria de ser feito.

Hoje, nosso filho é uma criança bem diferente do que era na época do diagnóstico. A essência feliz dele não mudou. Mas outras coisas, sim, como a interação social, a aquisição da linguagem, o contato visual. Até um irmãozinho ele já ganhou! E como o Santiago ajuda o irmão, estimulando-o o tempo inteiro, mesmo sem ter consciência disso.

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O autismo não parou as nossas vidas, nem é um fardo que pesa em nossos ombros. Claro que acredito na cura, e todos os dias olho para o Fabrício desejando que ele tenha os mesmos desafios de uma criança típica. Nada mais, nada menos.

Temos um pouquinho mais de trabalho que vocês, e um montão de gastos extras, mas sabemos valorizar como ninguém cada vitória do nosso filho, quer seja um olhar direto, uma imitação, uma brincadeira de faz-de-conta.

São conquistas que nos enchem de esperança e energia. O futuro, graças à dedicação de nós, pais, terapeutas, fonoaudiólogos, professores e cientistas, nos sorri com vontade. Mal podemos esperar.

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Autoria de Mari Oliveira
Sou mãe, esposa, filha e irmã off-line. Tradutora, fã dos Beatles e mãe de primeira viagem on-line. No dia 13 de maio de 2011, ouvi Maria Betânia cantar e o obstetra repetir: “Você verá que a emoção começa agora”. Eles estavam certos!