Reflexões

Mainha me ensinou

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Imagem ShutterStock. Cópia não autorizada.

Hoje de manhã quando eu acordei, desliguei o despertador (que é o meu telefone) e já fui abrir o Facebook (que é o meu vício). Dei de cara com a coluna nova da cantora Maria Rita na fanpage da revista Pais e Filhos – ela escreve desde o começo deste ano. Li, adorei, me identifiquei, selecionei um trecho e postei no meu perfil pessoal.

Na hora do almoço, recebi um e-mail com um comentário novo aqui no site ao meu texto de 2013, Carta para Minha Filha, um texto super pessoal que escrevi sobre sempre ter desejado engravidar de um menino e ter tido uma menina. Na hora me lembrei do texto da Maria Rita, que foi mais ou menos na linha do que eu escrevi – só que ela é infinitamente mais talentosa e transpôs para o papel lindamente coisas que eu já me peguei pensando mas não consegui expressar. Resolvi trazer o texto para cá. Ele é para mim, para você Nina (que comentou no meu texto) e para todas as mulheres que um dia acharam (ou ainda acham) não serem capazes de ser boas mães para meninas – mas descobrem, com elas, que o mundo cor-de-rosa não tem nada de aterrorizante!

Obrigada, Maria Rita! Esta sua crônica é linda!

*****

Mainha me ensinou
Por Maria Rita, mãe de Antonio e Alice
Aí, numa noite de primavera de 2012, eu lembrei que tinha esquecido de checar meu aplicativo sensacional e discreto que calcula o ciclo menstrual. Tínhamos decidido tentar engravidar no mês anterior. Apesar da afirmação científica e profissional do meu ginecologista, que dizia que eu engravidaria sem quaisquer problemas, duvidei do meu corpo de 35 anos, que fora bombardeado por hormônios sintéticos por quase 10 anos: achava que levaria um tempo pro meu organismo se ajustar à sua talvez esquecida natureza, já que não mais precisaria obedecer a um robô que mandava e desmandava como um tirano na ovulação (em 5, 4, 3…); na menstruação (são tantos dias e não se discute mais esse assunto); na procriação (nananinaninanão).
O aplicativo gritava que já era pra ter rolado. Mas não tinha rolado. E então, antes do que eu pensava, estava lá, acenando pra mim, todo serelepe, o neném. Abraços, gargalhadas do nada, planos de como e quando contar e pra quem e quando e como… aquela plenitude confusa, sab’cumé?
Então ouço aquela ficha rolar (porque “cair a ficha” não define): e se for menina? Foram oito anos sendo mãe solteira de um menino. Que já era quase um cara. Todas as vezes que saía para comprar roupa pra ele, agradecia, meio culpada, por não ter tido menina, porque teria morrido com tanto cor-de-rosa pastel e princesas e unhas-de-quatro-anos-de-idade-pintadas… e boneeeeeeecas e casiiiiiiiiiiinhas e – ai! E banheiro público? E glitter? Chaaaaaaato. E agora lá estava eu: 50% de chance.
E só porque eu temia, adivinha? Menina. Assustei. De verdade. Já saí dizendo pra marido: filha minha não vai… – e veio aquela lista imensa. Daí veio o medo de não conseguir amá-la como amei meu menino, medo de não saber ser mãe de menina. Veio o peso da responsabilidade de criar uma mulher num mundo machista. Uma mulher forte. Grande. Capaz. Amorosa. Doce. Guerreira. Sonhadora. Feliz. Leve. Eu sabia que ser mãe de menina era mais difícil – porque o mundo é mais difícil pra mulher. E o espelho sou eu. Mas ela é, também, um espelho.
Quando chegou, Alice me deu uma noção real da minha feminilidade no dia a dia. Não só por eu ter me aproximado das flores e das borboletas e do bordado e até do glitter (ainda acho chaaato, mas é bonito!). Mas porque eu me vejo nela. Eu a vejo me imitando sendo mulher. E ela mexe as mãos de um jeito, e ela põe um colar meu de um jeito, e ela sabe que aquele lance ali é um anel da mamãe, e ela acha lindo uma roupa e pede para eu tirar para que ela a use, e ela dança igual a mim e ela está sempre coladinha… Nela, me vi uma mulher que nem sabia que era, não sabia que existia. Porque vaidade é muito diferente de feminilidade. E ela me deu o espelho da minha feminilidade.
Somos – e seremos, enfim – o espelho uma da outra… E a isso sou eternamente grata.
[Fonte]

5 Comentários

  1. Viviane Brada

    10 de fevereiro de 2015 at 19:41

    Que Jesus abençoe essa família linda! Sou fã e amo a Maria Rita.
    Grande beijo

  2. Deise Cheng

    10 de fevereiro de 2015 at 22:08

    Uauuuuu me vi completamente na carta! Minha filha nasceu quando meu filho tinha 7 anos e eu só sabia ser mãe de menino! Jogar bola, andar de skate, fazer judô, para sair nada que 10 minutos não resolvesse , afinal era só dar uma banho colocar uma bermuda e uma camiseta e pronto ele estava lindo. Em 2013 veio a nossa princesa, na ultrason Quando nos disseram que era menina, quase tive um infarto… Afinal meu mundo era inteiro azul! Me perguntei internamente: e agora? Meu filho RICK falou: Vixi pai não foi dessa vez que veio meu irmão!
    Eu sinceramente me senti totalmente perdida e sem reação. Feliz muito feliz pois era oque queríamos. Entrei no mundo cor de rosa e azul! Agora ela, EMILY chegou e faz a festa pinta e borda e enche nossas vidas de glitter, com todo seu carinho, amor e cores e mais cores. Meus filhos fazem da minha vida uma maratona sem limites e cheia de amor, não sei viver sem esse mundo de aventuras ( RICK) recheado de doçura (Emily).

  3. nina lima

    13 de fevereiro de 2015 at 10:14

    Mais uma vez vc me fez chorar….ainda estou soluçando. Ainda ontem fui numa loja ver o enxoval da minha filha, me segurando pra não desabar lá mesmo. Estou pedindo a Deus que me ajude a amar minha pequena, toda vez que choro ela chuta bem forte minha barriga. Quando estava tentando engravidar pedi a Deus que Ele mandasse um bebê que eu soubesse cuidar, que eu não iria pedir sexo tal mas que Ele me ajudasse nesta escolha. Laura veio pra me curar de minhas feridas mais profundas. Aquelas que eu sabia estarem lá mas escondia com medo de chorar e parecer fraca para os outros. Deus permitiu que eu conhecesse esse site, pra ver que o medo de ter menina não era só meu. Mais uma vez obrigada..vou imprimir sua carta e esta da Maria Rita. Vou deixar no diário de Laura. Quando vier o medo vou lembrar que minha pequena vai ser forte e que outras mães já superaram tudo isso…

    1. Mari Oliveira

      13 de fevereiro de 2015 at 10:22

      Você VAI amar sua filha. Não tenha dúvidas disso!!!! <3

  4. Melhores textos sobre maternidade: Fevereiro de 2015 — Roteiro Baby

    2 de março de 2015 at 09:35

    […] a uma mãe que vai deixar o filho pela primeira vez na escola“, por Rita Lisauskas, e “Mainha me ensinou“, por Maria […]

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