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Qual a importância do ensino bilíngue para a criança?
Sem dúvida alguma, hoje em dia é essencial falar mais de um idioma. O mundo evoluiu e ampliaram-se os contatos internacionais a partir da TV, da Internet, das facilidades em viajar, conhecer novos lugares e culturas. Enfim, o mundo se globalizou, e com essa globalização houve a necessidade de se estabelecer uma linguagem comum de comunicação. Ser bilíngue passou a ser uma ferramenta acadêmica e profissional fundamental.

O início deste ensino bilíngue a partir da primeira infância facilita o aprendizado? Por quê?
Isso acontece porque é durante os anos iniciais de vida que o cérebro está voltado e mais atento para o aprendizado da língua (conexões neurais). Até os seis anos, o cérebro da criança está “a todo vapor” assimilando, processando e estruturando as informações. Quando a aquisição de dois idiomas acontece simultaneamente na infância, os códigos linguísticos de ambas as línguas são armazenados no mesmo local do cérebro. Isso faz com que a criança desenvolva habilidades fonológicas e de uso em ambas as línguas mais rapidamente, sem sotaques e com mais facilidade. Além disso, ao contrário do adulto, a criança ainda desconhece a inibição, desmotivação, perfeccionismo, falta de autoconfiança, ansiedade, entre outros sentimentos que prejudicam esse processo como acontece na fase adulta.

A partir de que idade recomenda-se o início desta prática?
A criança pode ser inserida em um ambiente bilíngue desde o seu nascimento. Não há contra-indicações quanto ao contato precoce com uma nova língua. Inclusive, a exposição simultânea da criança a mais de um idioma aumenta o número de conexões cerebrais, o que impacta positivamente o desenvolvimento não só da sua capacidade linguística como também das suas capacidades cognitivas, criativas, intelectuais e sociais.

Qual a melhor forma de ensinar a criança outro idioma?
Na escola bilíngue o segundo idioma se constitui não em objeto de estudo, mas sim em instrumento de estudo. As crianças adquirem o novo idioma vivenciando as situações do cotidiano escolar, nessa língua. Assim, mais do que somente se comunicar em outra língua, as crianças adquirem a capacidade de pensar sobre conhecimentos gerais também nesse idioma.

Caso os pais não sejam bilíngues, isso pode dificultar o aprendizado da criança?
Não, pois a criança terá outros meios de aprendizagem da segunda língua.

Que pontos os pais devem levar em conta ao escolher a segunda língua de seu filho?
Em geral os pais optam pela língua inglesa, já que esta é a língua oficial dos negócios, cultura e ciências, mas se houver algum vínculo ou projeto de mudança para um país onde o inglês não é falado, vale a pena direcionar esforços para este outro idioma.

O contato com outro idioma pode prejudicar a aquisição da língua pátria?
Não, crianças pequenas aprendem quantas línguas o ambiente lhes proporcionar, desde que esse aprendizado seja contextualizado e tenha uma função comunicativa. O cérebro da criança possui uma enorme capacidade de adaptação, por isso, a criança inserida em um contexto bilíngue difere naturalmente as situações de fala. Segundo Noam Chomsky, um dos mais importantes linguistas, “a aquisição da linguagem é simplesmente um processo de desenvolvimento de capacidades inatas, de modo que as crianças aprendem a falar da mesma forma que os pássaros aprendem a voar” (COLL et alii, 1995:70).

No entanto, é necessário ficar atento para que a criança tenha sua identidade cultural respeitada e preservada. O ensino de outro idioma não deve ter prioridade e nem ganhar mais destaque do que o da língua materna. Até mesmo porque a criança que conhece bem sua língua materna aprende com mais facilidade um segundo idioma.

[Fonte: Escola Tiny People]

Autoria de Mari Oliveira
Sou mãe, esposa, filha e irmã off-line. Tradutora, fã dos Beatles e mãe de primeira viagem on-line. No dia 13 de maio de 2011, ouvi Maria Betânia cantar e o obstetra repetir: “Você verá que a emoção começa agora”. Eles estavam certos!