roteiro-baby-debora-musicalização

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Hoje teremos um assunto que interessa a muitas famílias: musicalização infantil para bebês. Estudos mostram o quanto os bebês demonstram uma aptidão musical muito grande e o quanto eles se envolvem com as atividades propostas nas aulas. Entrevistamos a professora de música Débora Munhoz Barboni.

Débora tem formação em Artes e Música e pós-graduação em Educação Infantil, Psicopedagogia e atualmente está cursando Educação Especial. Débora é mãe de Ana Beatriz (6 anos) e dá aulas de música para sua filha desde os 9 meses de idade.

Selecionamos  perguntas importantes sobre o assunto:

  1. Por que apresentar a música para a criança desde cedo?

Porque a música atrai a criança desde sempre. Estudos mostram que quando o bebê nasce ele já foi estimulado através dos sons (dentro da barriga da mãe), pois o sistema auditivo está apto para receber informações a partir do quinto mês de vida intra-uterina. Nos primeiros meses de vida, as pessoas que cuidam do bebê geralmente interagem com ele através da música, com brincadeiras e canções que também provavelmente foram significativas para esses adultos na infância, ou seja, estas interações entre o adulto e a criança possuem alto grau de afetividade. Desde muito cedo o bebê cria memórias positivas com essa linguagem. Existem especialistas renomados que comprovaram o poder da música, como o neurologista e neuropediatra Mauro Muszkat da Universidade Federal de São Paulo, que revelou em uma entrevista para o jornal O Estado de São Paulo que estudos  científicos mostram que crianças que praticam música desde cedo de forma contínua e prazerosa, desenvolvem habilidades que vão além das musicais, como maior concentração, aumento positivo da auto estima e maior capacidade para assimilar os conteúdos de diversas disciplinas escolares. Isso porque a música estimula diversas áreas cerebrais. Além disso, a música tem o poder de modular nossas emoções, inclusive nas crianças. Quando ouvimos músicas que gostamos, o nosso cérebro produz substâncias químicas que conduzem transmissor de um neurônio para o outro no cérebro, como a dopamina, que traz aquela sensação de prazer, e a serotonina, que traz bem-estar e relaxamento. A música é significativa e interessante desde os primeiros meses de vida da criança e por isso ela é tão poderosa para desenvolver diversas habilidades. Mas para que o bebê possa usufruir de tantos benefícios, é importante que o professor ofereça um repertório de canções e brincadeiras específicas à faixa etária, além de um espaço seguro e arejado, material sonoro rico e ao mesmo tempo, próprio para ser manipulado sem oferecer perigo ao bebê.

  1. A partir de qual idade posso levar meu bebê para as aulas de música?

Quanto antes a criança iniciar nas aulas de musicalização infantil com um especialista, melhor. É aconselhável principalmente a partir dos 8 meses, quando a criança já senta sem apoio e deve ser acompanhada pelo pai ou pela mãe.

  1. Quais as atividades geralmente são desenvolvidas em uma aula de música para bebês?

As aulas de música com os bebês geralmente são em grupo, pois um dos objetivos é o desenvolvimento da socialização. Para começar, são utilizadas canções que falam o nome de cada criança e cada um tem sua vez. Assim a criança aprende a perceber o outro e ao mesmo tempo demonstram muita alegria quando todos cantam o seu nome na roda.

Ao começar a primeira música da aula, geralmente os bebês já ficam mais calmos e receptivos as atividades. Logo em seguida, são trabalhadas algumas canções que exploram diferentes estímulos, como por exemplo, as canções gestuais. Desta forma, o bebê vai aprendendo a relação do gesto e da fala e vai ampliando seu vocabulário e expressividade. Nestas canções, o professor geralmente utiliza brinquedos com efeito visual que atraem ainda mais a atenção dos pequeninos.

Pequenas histórias cantadas ou histórias sonorizadas explorando uma temática (explorando sons do corpo, da casa, dos animais e da rua), também podem ser utilizadas, pois estimulam a atenção, a concentração e a percepção auditiva, o chamado “ouvido musical”, que é desenvolvido principalmente até aos 6 anos.

Atividades explorando movimentos locomotores (andar, pular, galopar, saltitar) acompanhando diversos andamentos da música, brincadeiras de roda, também fazem parte das aulas, pois com o movimento, através de um repertório rico e diversificado, a criança brinca com seu corpo e interioriza os ritmos de forma natural, desenvolvendo não só a musicalidade e o vínculo afetivo com quem está dançando com ela, mas também seu raciocínio espacial-temporal.

Brincadeiras de colo, jogos musicais com parlendas (brincadeiras com as palavras), atividades em duplas são sempre um momento de diversão, onde a criança recebe o carinho e afeto no colo do adulto e ao mesmo tempo, vivencia a pulsação e o ritmo da música.

As crianças têm a oportunidade de acompanharem as canções com instrumentos musicais (chocalhos, tambores, clavas, sinos, etc.), vivenciando a pulsação e o senso rítmico, intensidade (tocar forte ou fraco), percepção ao estimulo sonoro e o silêncio, lateralidade (lado esquerdo, direito, para cima e para baixo), estimulando também o desenvolvimento psicomotor da criança.

O canto (linguagem musical) sempre é a viga-mestra de todo o processo, contribuindo para melhorar a articulação de diversos sons da fala.

Depois de tanto estímulo e tantas atividades divertidas, as crianças necessitam de um momento de relaxamento, onde acompanhados por uma música apropriada, recebem carinho do adulto, com instrumentos de massagem. Ou seja, em uma aula de geralmente 30 minutos, o bebê é estimulado com diversas atividades através de seus sentidos e brincando.

  1. Hoje a maioria das escolas apresenta aula de música no currículo escolar. Qual a vantagem de matricular a criança em uma escola específica de música?

Felizmente as escolas da Educação Infantil na sua grande maioria apresentam um currículo musical e isso é maravilhoso, pois a música tem este poder de trazer mais alegria, diversão, entusiasmo e muita aprendizagem através dela. A grande vantagem de também matricular a criança em uma escola de música, é que geralmente um familiar pode acompanhar essas aulas e acompanhar as reações, as interações e aprendizagens do bebê, além de seus progressos nas atividades propostas. Depois de cada aula, é comum os pais relatarem que seus filhos reproduzem as atividades em casa em alguns momentos. O familiar que vivenciou a aula poderá praticar as brincadeiras e repertórios de canções aprendidas, motivando seus filhos com a música desde cedo, de forma prazerosa e lúdica.

  1. Quais os benefícios da música a longo prazo?

Quem vivencia música desde pequeno, através de experiências de qualidade, se torna um adulto mais seletivo, com maior discernimento para escolher seu repertório musical e isso é muito importante, porque cada música faz parte de uma cultura, que pode influenciar no comportamento e na vida das pessoas. Além disso, poderá utilizar essa linguagem de forma saudável para descarregar o stress do dia-a-dia. A música, como nos envolve em nossas emoções, na razão e no nosso corpo, estimula muitas áreas cerebrais, trazendo muitos benefícios inclusive às crianças especiais. A música faz bem para qualquer idade, então é bom que comecemos desde cedo, brincando e aprendendo, contribuindo assim para que a criança, além de desenvolver-se integralmente, tenha uma vida mais plena e feliz.

Autoria de Mari Oliveira
Sou mãe, esposa, filha e irmã off-line. Tradutora, fã dos Beatles e mãe de primeira viagem on-line. No dia 13 de maio de 2011, ouvi Maria Betânia cantar e o obstetra repetir: “Você verá que a emoção começa agora”. Eles estavam certos!