Reflexões

Pelo fim das “guerras maternas”

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“Vamos amar mais e julgar menos” – imagem que postamos no Instagram @roteirobaby

Outro dia eu estava olhando umas fotos no Instagram e vi a foto de um convite de aniversário lindo, feito por uma empresa de festas, que consistia num copinho de jujubas com uma tag com os dados da festa na tampinha do copo. Logo abaixo, num dos comentários, uma mãe dizia algo como: “O que aconteceu com as festas de antigamente? Contratar empresa? Eu faço tudo das festas dos meus filhos eu mesma, sozinha!”

Cesárea x Parto Normal, Leite Materno x Leite Artificial, Mãe que fica em casa x Mãe que trabalha fora, Creche x Babá… E agora até festa de aniversário virou motivo de guerra entre as mães? A mãe que faz tudo x a mãe que contrata empresa de festa. Por quê? Por que tudo que envolve a maternidade tem que virar um campo de batalha? 

Uma das coisas que eu mais concordei quando li o livro “A Maternidade e o Encontro com a Própria Sombra”, da psicoterapeuta familiar Laura Gutman, foi a questão da “rede de apoio”. Laura diz que “A espécie humana foi desenhada para andar em manadas, em tribos. Nós, mães modernas, precisamos organizar uma tribo que nos apoie e ofereça companhia e compreensão.”  Muitas vezes, por questões diversas (por morar longe da família, por exemplo), as mães contemporâneas recorrem à blogosfera e às redes sociais para ter esse apoio. E aí, o que deveria ser um espaço de troca, vira um campo de batalha. Por que muitas vezes passamos por cima do fato que as mães (todas elas) só querem o melhor para seus filhos? Por que queremos impor nossas escolhas, e julgamos quem não as segue? Por que ficamos “ofendidas” com quem faz diferente de nós? Por que esquecemos que o objetivo final de todas as mães é o mesmo: ver seus filhos felizes?

Isso não acontece só aqui no Brasil. Nos Estados Unidos, um grupo de mães criou uma campanha chamada “Stop the Mommy Wars” (Parem com as Guerras Maternas), e fez ensaios fotográficos com mães e suas diferentes escolhas.

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Eu tive parto normal domiciliar X Eu agendei minha cesárea

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Eu ainda amamento meu filho de dois anos X Eu escolhi dar leite artificial desde o início

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Eu faço cama compartilhada X Minha filha dorme em sua própria cama

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Eu trabalho fora X Eu fico em casa

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Eu deixo meu bebê chorando (por um tempo razoável) X Eu nunca deixo meu bebê chorando

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Meus filhos comem comida orgânica X Eu deixo meus filhos comerem fast-food

Uma campanha para abrir os olhos: somos todas mães, todas queremos o melhor para nossos filhos, todas amamos nossos filhos acima de tudo. E todas temos contextos e experiências pessoais que não deveriam ser motivo de julgamento nem determinar se somos – para usar dois termos bem comuns na blogosfera materna – “mais mães” ou “menos mães”. A maternidade (principalmente a primeira vez) já é um período de muita ansiedade. Não sejamos nós, mães, a causar ainda mais ansiedade umas às outras.

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Fazendo escolhas diferentes e criando filhos saudáveis.

Acima de tudo, esta campanha (e este post) defende o RESPEITO. Respeito pelas diferentes formas de, como diz a foto acima, criar filhos saudáveis! Sim, existem muitas formas, a minha (ou a sua) é apenas uma delas.

22 Comentários

  1. Joy

    3 de fevereiro de 2014 at 12:02

    Adorei o post, Mari.
    Infelizmente existe uma competição infundada entre as mães que chega a ser desgastante. É uma disputa em relação a TUDO: quando falou a primeira palavra, quando começou a andar, como foi a introdução de alimentos sólidos, faz birra ou não faz, vai pra escola ou ainda não vai, passou pela fase x ou y, toma fórmula ou mama no peito, tem ciúme do irmão ou não tem… chega ao ponto de uma mãe se meter no planejamento familiar da outra. E daí se a pessoa só quer um filho? E daí se ela quer ter cinco?
    Eu gostaria que pudéssemos compartilhar e nos ajudar e nos curtir como mães, afinal queremos o melhor para os nossos filhos e as nossas escolhas são sempre pensando no melhor para eles. Ponto final.

    1. Mari Oliveira

      4 de fevereiro de 2014 at 09:15

      Né, Joy? Desgastante mesmo… E logo quando a gente deveria se unir…

      Bjs!

    2. Soraya Gutierrez

      4 de fevereiro de 2014 at 09:30

      Concordo com a opinião da Joy tb! Alguns pais encaram a criação de filho como o desenvolvimento de um produto! rsrsrs Eu guardo as críticas as outras mães para mim, e qdo exteriorizo esta crítica a alguém específico, eu procuro fazer de uma maneira sutil, em forma de sugestão: “será q se vc fizesse assim não seria melhor…?” “de repente vc poderia tentar fazer y…” Acho q esta forma sim, criamos uma rede de apoio entre mães.

  2. Aline

    4 de fevereiro de 2014 at 09:57

    Que post sensato!
    Não sou mãe, mas já julguei muito minhas amigas! Que vergonha!
    Obrigada por abrir meus olhos e me preparar para o que me espera: muitas críticas!
    Toda mãe quer o melhor para o seu bebê! Hoje eu aprendi!

  3. Mari Oliveira

    4 de fevereiro de 2014 at 10:07

    “Viva sem autoridade, sem comparação e você descobrirá que coisa tão extraordinária, você tem uma tremenda energia quando não está competindo, comparando e nem se reprimindo; você está realmente vivo, são, completo e é, portanto, sagrado. Existe uma qualidade da mente que está desperta e sempre observando, observando ainda que não haja nada que aprender.” (Krishnamurti)

    Obrigada pelas visitas e comentários, meninas!

  4. Gabriela Costa

    5 de fevereiro de 2014 at 10:18

    Apaixonada por esse post! Perdi a conta de quantas vezes tive que praticamente me justificar por minhas escolhas em relação ao meu filho. Minhas escolhas. E que lindo é poder ter escolhas e não ser obrigada a seguir um único caminho, porque não há outra alternativa. Somos todas mulheres inteligentes e sensatas que estudamos e avaliamos as opções antes de aplicá-las a vida de nossos filhos. Parabéns a vocês pela belíssima publicação!

    1. Mari Oliveira

      6 de fevereiro de 2014 at 08:58

      “Somos todas mulheres inteligentes e sensatas que estudamos e avaliamos as opções antes de aplicá-las a vida de nossos filhos” – é isso, Gabriela!!

      Obrigada, beijos!!

  5. Pai Ogro

    5 de fevereiro de 2014 at 10:55

    A ideia realmente é muito simpática e, claro, baseia-se em algum grau de verdade. No entanto, também faz uma generalização injusta, pois põe no mesmo saco (o da competição) a simples convicção. Também mistura questões que têm fundamentação objetiva (digamos, científica) e outras que se limitam a achismo ou no máximo um “senso comum”. De resto, é isso, quem não chora, não mama.

    1. Mari Oliveira

      6 de fevereiro de 2014 at 08:57

      Entendi seu ponto, Pai Ogro. Mas a ideia aqui é, na verdade, que se pare de brigar. A maternidade nos deixa muito vulneráveis e com muitas dúvidas. Não é o momento para que mulheres se degladiem, e sim que se unam!
      E se os pais entrarem na jogada também, assim como você, aí fechou lindo! Não acha?

      Abçs!

    2. Fernanda

      10 de fevereiro de 2014 at 20:56

      Adorei seu comentário, Pai Ogro! O post do Roteiro Baby está muito bom, porém a campanha americana tem cara de propaganda velada.
      O que muitos ativistas fazem, na maioria das vezes, é levar informação e conhecimento, só isso, e infelizmente essas atitudes boas também são vistas como “guerras”.
      É claro que cada mãe e pai tem uma realidade e isso influencia nas suas escolhas, por isso não devemos mesmo julgar ninguém, mas daí a dizer, por exemplo, que “tanto faz leite materno ou leite artificial”, isso vai contra as evidências científicas.

      1. Mari Oliveira

        11 de fevereiro de 2014 at 05:30

        Mas ninguém falou que “tanto faz” nada… O ponto aqui é parar de brigar, de julgar. Eu amamentei minha filha no peito até 2 semanas atrás. Ela tem 2 anos e 8 meses. E por que todas as vezes que ela pedia o peito eu tinha que ouvir comentários negativos e gente torcendo a cara? Mulheres que são mães me dizendo que eu já não tinha mais leite e sim uma “água suja” no peito?
        Entendeu o ponto qual é? Tá certo, existem evidências científicas, mas também existe a experiência prática, as condições particulares de vida de cada um. E como eu disse no texto, elas não devem ser condições para que terceiros venham julgar. É este o ponto do texto (e da campanha).
        Bjs!

        1. Valessa Mattos

          11 de abril de 2014 at 13:39

          E ainda tem a questão da necessidade da criança. Me chateava ler outras mães dizendo que eram “mães de verdade” pq amamentavam. Eu tinha dificuldade em amamentar meu bebê especial e precisei introduzir a fórmula. E aí, sou passível de julgamentos? Pois é.

  6. Daniele Carneiro

    5 de fevereiro de 2014 at 23:53

    Meninas! Parabéns! Adoramos (eu e minha Comadre Carol) esse post super coerente! E vamos recomendá-lo às nossas clientes! Beijos das Comadres!

    1. Mari Oliveira

      6 de fevereiro de 2014 at 08:54

      Obrigada, Daniele! É isso: a gente tem que se unir!
      Bjs!

  7. daniela reigado

    11 de fevereiro de 2014 at 12:56

    sou mae de primeira viagem e confesso que ja julguei muito outras maes por fazerem isso ou aquilo….eu mesma sempre me pergunto se estou fazendo a coisa certa…sempre acho que poderia me dedicar mais, fazer mais, e o mais importante disso tudo e ver sua filha lhe dando um sorriso pela manha e ai eu me acalmo e volto a pensar que com amor tudo se resolve…amei o post!! a partir de agora sem julgamentos, culpas, ansiedades, aflicoes,.,,,obrigada!!!

  8. Lucianna Kalil

    11 de fevereiro de 2014 at 21:08

    Adorei a matéria Mari! Parabéns! Torço muito pelo fim dessa guerra materna que vem no pacote a partir da gravidez! Rs..

  9. Paula Moura

    13 de fevereiro de 2014 at 10:52

    Lindo texto. Encaminhei para as colegas do trabalho e todo mundo adorou. Obrigada.

  10. Aline

    13 de fevereiro de 2014 at 14:08

    Eu tinha visto essa campanha e achei muito interessante. Apesar de perceber há muito que nossa sociedade e cada vez mais competitiva, fiquei chocada com o quanto somos julgadas a partir da gravidez em diante. Outro dia ousei me pronunciar num grupo de supostas amigas e expressar uma opiniao diferente e, como consequência, fui isolada e taxada de “chata”, chegando uma delas a criar outro grupo para que pudessem discutir suas questões sem ter alguém discordando. Essa história de que se respeita a opiniao dos outros e apenas um discurso bonitinho, mas que pouco gente pratica verdade. Como foi dito num dos comententarios acima, poderíamos sempre partir do pressuposto de que todas queremos o melhor para os nossos filhos…. Quem sabe assim possamos respeitar as escolhas dos outros e, genuinamente, ensinar nossos filhos a assim agirem.

  11. Links que Recomendo | Mami e Mais

    20 de fevereiro de 2014 at 06:01

    […] 4. Pelo fim das “Guerras Maternas” […]

  12. Ryvane

    5 de junho de 2014 at 17:54

    Olha que curioso! Ontem postei em meu face a seguinte observação:

    “Fico observando algumas coisas aqui no face e não consigo chegar a certas conclusões!
    Uma mãe que trabalha o dia todo e deixa os filhos na creche integral sai correndo para pegar os filhos e vai embora pra casa. Certo?….Errado!….aqui no face podemos ver essa mesma mãe em eventos noturnos, academia, jantar romântico, viagens……
    Não consigo concluir com quem fica essas crianças! Ou melhor, quando essa mãe tão “busy” consegue dar amor, limites, educação, dar banho etc…para essas crianças? Fico aqui só observando e tentando entender. Juro!
    Um dia vou entender! Um dia não vou precisar questionar! Um dia vai fazer sentido esse tipo de maternidade! Um dia….quem sabe!”

    Estava me referindo a escolha de uma mãe que escolhe tanto que se ausenta! Foi o suficiente para gerar uma guerra materna! kkkkkkkk….
    O pior, certa mãe amiga vestiu a carapuça e respondeu de forma grosseira. Acho que ela não entendeu que a minha questão passava pela ausência da presença dela na vida dos filhos! Bom, aí hoje leio esse artigo maravilhoso! Super concordo! Também fiz minhas escolhas e sei como é difícil mantê-las. Pior, como é complicado ter que viver com as comparações! Tenho várias amigas que criam seus filhos de maneira completamente diferente da minha e mesmo assim as crianças são felizes, saudáveis, completas e plenas! Isso se deve ao fato de que cada criança é um ser único, e precisa se ajustar ao núcleo familiar no qual está inserido! Se não fosse assim, todas as regras, livros e afins estariam bombando no mercado e fazendo sucesso na prática!!! E viva a diferença! É ela que nos mantem vivos!!!!!

  13. Laís deu tchau ao BUBU (chupeta) | iMãe

    16 de julho de 2014 at 08:41

    […] Dia desses li um post sensacional no blog Roteiro Baby sobre o assunto: Guerras Maternas. Compartilho aqui para vocês:  www.roteirobaby.com.br/2014/02/pelo-fim-das-guerras-maternas.html […]

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