roteiro-baby-iza-garcia3

Sempre que eu leio alguma declaração de amor emocionante de pais para filhos tento escrever para a Bruna buscando falar do amor imenso que ela despertou em mim.

Eu sei que se trata de algo inefável, imensurável, indizível… mas, mesmo assim, e mesmo não tendo o dom de escolher bem as palavras, neste ano, movida pelo amor maior do mundo, eu tentei me expressar em um texto escrito para comemorar o nosso aniversário. (nosso porque quando uma filha única faz aniversário, uma mãe de primeira viagem faz também).

O contexto das palavras tem a ver com a minha idade e a da minha filha porque faço aniversário 2 meses depois que ela (ela em outubro, eu em dezembro) e, assim como muitas mulheres, eu temia completar 30 anos de idade. O contexto das palavras tem a ver com o fato de hoje, mãe, eu morrer de orgulho de dizer “trinta E TANTO” já que o que vem depois do “e” equivale a quanto tempo eu sou mãe… aos trinte e um, Bruna tinha um. Aos trinta e três, Bruna terá três e a Iza mãe fará seu terceiro aniversário também. Cheguei aos 30 anos muito melhor do que eu imaginava, com o maior presente que ganhei da vida nos meus braços (com 2 meses) e, depois disso, meu aniversário passou a ser muito mais comemorado.

Três, e trinta e três
A menina que inaugurou a mãe em mim vai fazer três anos.
Ela três, e eu trinta e três.
Antes dos trinta, eu temia os trinta.
Hoje, vejo que os primeiros trinta anos da minha infância foram essenciais para eu me transformar na mãe que aos trinta eu seria.
Os “três” dos “trinta e três” parecem uma vida.
Vida que passou a fazer mais sentido depois que ela – o meu tesouro, chegou.
E hoje, ao pronunciar “e três” com orgulho e emoção, me lembro daquela que me apresentou o mais sincero, inebriante e transformador amor.
Amor que transborda, encanta, fortalece e ensina.
Até trinta, nem todos os dias eram bons. Depois dos trinta, existe algo de bom todos os dias.
Antes dos 30, eu quis ser, fui e deixei de ser várias coisas. Aos 30, passei a ser, para sempre, aquilo que sonhei ser desde menina: mãe de uma menina.
Até trinta, eu tinha medo de dormir sozinha, perder o horário e ficar sem salário. Hoje, me preocupo com virose, parquinho sem manutenção, coleguinha que morde, classificação indicativa do filme, piolho e mil coisas mais.
Antes de ser mãe, eu passava muito tempo dormindo, sonhando e passeando. Hoje, falta tempo pra tudo e eu adoraria passar o tempo todo com a minha filha.
Até trinta eu pedia mais do que agradecia. Depois dos trinta, é preciso ser muito agradecida e merecer que as preces diárias pela proteção dela sejam atendidas.
Até trinta, existia dúvidas sobre Deus. E depois de viver a dádiva da maternidade, as dúvidas viraram certezas.
E a maior certeza que carrego, a partir dos trinta, é a de que nasci para ser a mãe da Bruna.

 

Autoria de Iza Garcia

“Já quis ser ‘médica de criança’, pipoqueira e costureira. Cursei inglês, italiano, castelhano, mas só falo português. Fiz Direito e Ciência Política, e curto ser blogueira. Desde 11/10/2010 sou “MÃE DA BRUNA” e realizada ao descobrir algo p/ ser a vida inteira”.