roteiro-baby-mae-que-trabalha-fora

Eu trabalho muito (de 44 a 50 horas semanais) há bastante tempo… inclusive desde que a minha filha tinha 5 meses.

Adoraria reduzir minha jornada de trabalho (ainda que o salário diminuísse também), mas isso não foi possível. Não sendo, eu “faço do limão uma limonada”, me acostumando, não me vitimizando, valorizando os pontos positivos da situação e compensando o tempo longe da família aproveitando ao máximo as oportunidades que tenho para estar perto dos meus queridos.

E levo bem a sério o lance de “aproveitar ao máximo o tempo que tenho para estar em família“, porque fiz umas contas interessantes (e tristes… snif!).

Se o dia tem 24 horas e geralmente eu acordo às 07 e vou dormir às 23horas; concluo que tenho 16 horas úteis por dia, nos dias da semana.  Considerando que eu só passo 1 hora em casa no horário do almoço (porque perco o resto do tempo em trânsito… humpf!) e o fato da minha filha só estar acordada em casa, disponível para estar comigo, neste horário de almoço + das 18h até às 22 horas (já que ela acorda às 09h30 e estuda meio período do dia)… concluí que o tempo que tenho para estar com a minha filha é pequeno demais: 5 horas por dia, no má-xi-mo, em dias de semana.

Pensar que das 16 “horas úteis” do meu dia, apenas 5 são aproveitadas na companhia da minha filha, me entristece (e muito!). Afinal, 5 x 5 = 25 e 16 x 5 = 80… e das 80 horas úteis da minha semana, passo, no máximo, 25 com minha filha. E ainda que eu passe todo o final de semana com a minha filha (e eu passo!), eu realmente passo mais tempo trabalhando do que aproveitando a companhia do meu “tesourinho”.

E é aí que esse post começa a fazer sentido. Porque as “5 horas” diárias são pouco e, infelizmente, eu não consigo estar com minha filha, nem essas 25 horas semanais, já que o meu trabalho nem sempre permite que eu vá em casa almoçar e já que, pelo menos 2 vezes por semana, eu saio de casa para trabalhar quando minha filha está dormindo e volto do trabalho quando ela já dormiu.

Constatada essa realidade, ciente da importância de compensar minha família desse tempo que estou fora, trabalhando… e de estar com minha filha ao má-xi-mo quando posso fazer isso, sigo bem radical sobre essa questão. Passo TODO o final de semana na companhia da minha filha, programo a maioria dos programas do final de semana priorizando o lazer dela e, durante a semana, passo absolutamente todo tempo que posso com ela, ainda que seja o pouco tempo que relatei acima. Obviamente, as férias, feriados e qualquer viagem também são planejados pensando na filha, no lazer dela e na oportunidade de ficarmos juntas.

Eu, realmente, não me permito estar menos com ela para estar, por exemplo, entre amigos, na academia, no salão de beleza, em shopping ou fazendo qualquer outra coisa que não envolva a minha filha. Faço essas coisas raramente (por opção!), incluo minha filha em absolutamente todos os programas possíveis e, evito aquilo que não é possível fazer na companhia dela. Se 5 horas por dia já são pouco, eu não tenho mesmo coragem (nem vontade) de diminuir esse tempo, ainda que seja para dedicar “1 horinha pra mim”.  Saber que o tempo que tenho para estar com ela é pequeno porque PRECISO trabalhar, ir ao médico ou resolver um problema é uma coisa… de alguma forma, me consola. Mas saber que estive com a minha filha menos do que eu poderia ter estado porque eu quis, pra mim, é algo inadmissível.

Imagino que mães que não trabalham fora de casa se sentem muito em paz com o tempo que reservam para si (afinal, elas passam mais tempo com seus filhos do que fazendo qualquer outra coisa! viva!). Mas não sendo essa minha realidade, eu, por exemplo, nunca consegui fazer nada “só pra mim” com frequência, depois que a minha filha nasceu.

E não faço isso porque acho bonito dizer que priorizo minha filha. EU DE FATO PRIORIZO MINHA FILHA porque eu tenho obrigação de fazer isso e porque estar com ela, realmente, é o meu maior prazer na vida.

Sei que as mães modernas chegam aos limites para lidar com todas as suas responsabilidades e, apesar de difícil, quero provar que “ser uma mãe presente, mesmo trabalhando”, é possível! Assim como também é possível se cuidar, descansar e se divertir sem diminuir, ainda mais, o pouco tempo que se tem para os filhos quando se trata de uma mãe trabalhadora.

PRIORIZANDO A FAMÍLIA E SENDO CRIATIVA, É POSSÍVEL MANTER O VÍNCULO COM OS FILHOS, MESMO PASSANDO MUITO TEMPO LONGE DELES :

APROVEITE A TECNOLOGIA
A tecnologia é grande aliada das mães modernas. Manter uma câmera que mostre para você o que se passa em casa é seguro e gostoso (eu assisto o a minha filha em casa, no iPhone, de onde quer que eu esteja!).

DEIXE A CRIANÇA OUVIR A SUA VOZ
Uma pesquisa americana concluiu que a voz da mãe conforta tanto quanto um abraço! Eu amo essa pesquisa (risos) e lembrando dela utilizo o APP Tango e outros, que permitem conversar com a criança vendo a carinha dela.

FAÇA UMA GRAVAÇÃO
Ainda ciente da pesquisa que diz que a voz da mãe diminui a saudade, eu sugiro que vocês façam uma gravação para a criança ouvir, sempre que quiser ouvir a mãe (e não for possível telefonar pra ela). Pode ser vídeo ou áudio… cantando uma música, lendo uma história ou mandando um recadinho carinhoso para dizer que está com saudades. Eu gravei vários vídeos para a minha filha no celular, depois passei para um um DVD e a babá mostra pra minha filha sempre que ela pede.

DEIXE UM OBJETO SEU PARA SEU FILHO BRINCAR
Deixar uma peça de roupa sua com o seu perfume (eu deixo!), seus colares ou qualquer outro objeto que lembre você disponível para seu filho brincar vai deixá-lo super feliz.

DÊ UMA FOTO SUA PARA A CRIANÇA
Dê uma foto sua (ou sua com a criança) para seu filho ter essa imagem sempre por perto. Se ele já souber ler, você pode escrever um bilhete com uma mensagem carinhosa. Eu, por exemplo, imprimo fotos no computador (fica mais barato) e deixo muitas páginas com fotos à disposição da minha filha, dentro de caixas de brinquedo.

SE FAÇA PRESENTE, COM CARINHO
Eu aprendi a educar com carinho e invento inúmeras gracinhas para que a minha filha perceba, durante o dia-a-dia, que eu estou pensando nela. Coloco bilhetinhos na lancheira, deixo surpresas escondidas em casa para ela encontrar, compro presentinhos para a babá entregar dizendo que “a mamãe pediu para eu te entregar”. Entre tudo isso, uma dica é bem gostosa e merece ser registrada: de vez em quando, dou um beijo com batom na mãozinha da minha filha dizendo que é para ela “carregar meu beijo o dia todo” e ela a-do-ra. Só não faço mais isso porque ela passa o dia todo sem lavar a mãozinha (risos). Outra dica legal é fazer, junto com a criança, um abraço que dura o dia inteiro.

SENDO ORGANIZADA, É POSSÍVEL OTIMIZAR O TEMPO (para sobrar mais tempo para a família): 

REÚNA AJUDA
Aceite que você precisa de ajuda e aceite toda a ajuda para aquilo que é possível delegar. Delegue ao mínimo os cuidados com os filhos e máximo as pendências da casa, por exemplo. Como eu já disse, ter babá, por exemplo, me ajuda a ter mais tempo livre para a minha filha (isso mesmo!)

ACEITE e TENHA CONSCIÊNCIA DAS SUAS ESCOLHAS
Se você não pode parar de trabalhar, aceite isso para sofrer menos. Ter consciência de que está fazendo o melhor que pode, traz paz. E para alcançar essa paz, basta fazer realmente o seu melhor. Passar muito tempo reclamando que precisa trabalhar e que passa pouco tempo com os filhos é inócuo. Enquanto priorizar os filhos ao máximo (de verdade!) pode te fazer desfrutar da paz de viver “sem culpa”.

Especialistas, em geral, concordam que o afeto não pode ser medido em horas, minutos ou segundos, apenas em intensidade e atitudes. E não se trata de uma pesquisa que justifique as escolhas daquelas que preterem ou delegam a maternidade em prol de suas vontades e futilidades, heim gente?! Trata-se de um alívio para as mães que realmente (de verdade!) priorizam os filhos, aproveitando ao máximo TODO  tempo que podem estar com eles.

EM FAMÍLIA, CONCENTRE-SE NA FAMÍLIA
Aceitando ajuda, priorizando a família e organizando-se, sobra sim mais tempo para estar em família, concentrada na família. É importante desacelerar o ritmo quando está em casa, não falar ou pensar demais no trabalho e nas tarefas domésticas, além de aprender a curtir o tempo em família para que esse tempo seja de qualidade.

ORGANIZE-SE
Acorde cedo, tenha uma agenda (de papel e/ou eletrônica) e conserve o hábito de anotar aquilo que precisa se lembrar. Anotar as tarefas também nos ajuda a perceber que estamos inventando pendências desnecessárias (cuidado: quanto mais tempo a gente “desperdiça” por aí, menos tempo sobra para os filhos e para o descanso).

PRIORIZE O QUE É IMPORTANTE
Se você deixar de dar importância para certas coisas, vai sofrer menos em não ter acesso a elas. Se a sua lista de prioridades for enorme, o tempo para tanto não será suficiente. Então, eu pratico e recomendo o desapego à coisas que não combinam muito com a vida que eu posso ter hoje ou que me atrapalhariam a viver bem com a minha realidade e escolhas… e priorizo, minha filha em TODO o pouco tempo que me sobra quando não estou trabalhando.

CUIDE-SE
Deixei esse conselho por último porque meu conceito de “se cuidar” mudou depois que me tornei mãe. Antes, significava mais “estar bonita” do que “estar bem”. E, hoje, madura e consciente das minhas obrigações e responsabilidades de mãe, sei que não é necessário deixar de estar com minha filha para “estar bem”, já que estar longe dela me faz muito mal, diga-se de passagem. Acredito ser possível (e importante) adiar à volta à academia para depois que a criança começa a frequentar uma escola e já não é bebê (como eu fiz) ou incluir a criança nas atividades, por exemplo. Acredito ser possível se cuidar na companhia das crianças ou fazer isso de forma não prioritária (afinal, isso não merece ser prioridade… e quem prioriza tudo, na verdade não prioriza nada).

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E já que “não devemos servir de exemplo a ninguém, mas podemos servir de lição” (Mário de Andrade), quero registrar um desabafo, uma lição, uma reflexão e um pedido.

DESABAFO E LIÇÃO: Eu queria que meu dia durasse 50 horas e adoraria ter o superpoder de ser incansável para ter tempo e disposição suficientes para aproveitar a companhia da minha filha, mesmo sendo trabalhadora, dona-de-casa, esposa, filha, blogueira (risos) etc. Mas a realidade me obriga a trabalhar e a desempenhar diversos papéis ao mesmo tempo. Então, para não sofrer e para não deixar de dar prioridade ao que realmente é o mais importante na minha vida (minha filha), eu aprendi a aceitar aquilo que preciso preterir, a me acostumar com a realidade da vida de mãe trabalhadora e a GOSTAR da rotina que escolhi para viver mais em paz.

FRASE DO DIA (para todos os dias): Você jamais terá TEMPO para aquilo que não dá prioridade*. 

MUITO IMPORTANTE: Quero deixar claro que não estou ditando regras de maternagem ou julgando quem pensa e age diferente de mim. Eu estou falando de mim, da minha experiência, da forma que eu encontrei para estar mais em paz, convivendo com a saudade da minha filha e da vontade de estar com ela mais do que eu posso estar. Não estou tirando direitos das mulheres ou coisas radicais assim que alguém chata, cricri e implicante pode cogitar. Esse texto é direcionado para mães que trabalham, têm pouco tempo para os filhos e não estão satisfeitas (de verdade!) com isso. Estou relatando um fato (mulheres que trabalham fora têm pouco tempo para todos os outros papéis que ainda precisam desempenhar), e adoraria que esse post fosse ignorado por quem pretende descontextualizá-lo, e muito bem aproveitado por quem prioriza a maternidade acima de tudo (inclusive de si, quando isso é necessário).

Autoria de Iza Garcia
"Já quis ser 'médica de criança', pipoqueira e costureira. Cursei inglês, italiano, castelhano, mas só falo português. Fiz Direito e Ciência Política, e curto ser blogueira. Desde 11/10/2010 sou "MÃE DA BRUNA" e realizada ao descobrir algo p/ ser a vida inteira".