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Todos os anos, na primeira semana de agosto, é celebrada a Semana Mundial do Aleitamento Materno. O tema este ano é Aconselhamento, e como ainda amamento complementarmente a minha filha, que tem 2 anos e 2 meses, acredito que compartilhar a minha vivência e aconselhamento pode ajudar mães de recém-nascidos ou que estão se preparando para amamentar.

Não há dúvidas sobre os benefícios fisiológicos, psicológicos e sócio-econômico-culturais da prática do aleitamento materno para a díade mãe/bebê. Sabe-se que a amamentação, isoladamente, é a estratégia de maior impacto capaz de salvar a vida de cerca de 13% das crianças menores de 5 anos em todo o mundo por causas previníveis. O estímulo da amamentação exclusiva salva nada menos que 6 milhões de crianças por ano. Também sabe-se que o leite materno é o melhor alimento que um bebê pode receber nos seus primeiros anos de vida, sendo indicado até dois anos ou mais. Sua superioridade orgânica o torna de melhor digestibilidade, sendo o alimento mais completo para promover o crescimento e desenvolvimento infantil. Crianças amamentadas também estão mais protegidas contra doenças infecciosas. [Fonte].

Ok, todo mundo que procura um pouco de informação chega a esses dados médicos. Agora, o que pouquíssimas mulheres sabem é que amamentar não é assim tão fácil, e nem sempre é natural e lindo como nas fotos das campanhas de saúde.

Eu sempre fui fascinada por amamentação, sempre achei bonita a imagem da mãe com o bebê no colo, disponível com o próprio corpo para amamentar aquela cria. Lembro que ainda em idade escolar eu marcava as páginas dos livros de História que traziam a foto de Rômulo e Remo sendo amamentados por uma loba.  Assim, quando engravidei, eu me preparava mais para amamentar que para parir. Então, Júlia nasceu, e graças ao apoio do meu marido, minha doula, obstetra e pediatra presente no parto, mamou logo na primeira hora de nascida. Eu já tinha colostro há algumas semanas antes dela nascer, e segundo as enfermeiras do hospital, ela tinha acertado a pega de primeira.

Quando tive alta, no 3º dia de vida da Júlia, o leite já tinha descido (e no meu caso a apojadura não doeu, pelo contrário, foi uma felicidade sentir o leite descendo e os seios enchendo) mas eu já começava a sentir muitas dores nos mamilos, e sentia calafrios toda vez que ela vinha mamar. Ao fim da primeira semana, e tinha muito leite, estava com os mamilos muito machucados, os seios empedrados, e chorando de dor a cada vez que tinha que amamentar ou tirar o excesso de leite com bomba. A sensação que eu tinha era que a Júlia tinha uma “boca de gilete”, ou que me passavam um maçarico nos seios toda vez que eu terminava de amamentar.

Não era daquele jeito que eu tinha sonhado e planejado, não era daquele jeito que eu via nas fotos, não era daquele jeito que eu tinha visto outras mulheres fazerem durante toda a minha vida. Mas eu não estava disposta a parar, então me cerquei dos cuidados que podia: tive o auxílio de uma enfermeira, que corrigiu a pega da Júlia (que afinal, diferente do que tinham me dito no hospital, precisava de ajustes),  tive a ajuda da minha acupunturista (que tantas vezes me acudiu em casa, à noite, para desempedrar meus seios), procurei ler bastante e tentei não desesperar.

E finalmente conheci Laura Gutman e o seu “Maternidade e o Encontro com a Própria Sombra“, livro incrível, visceral, que me deu tantos insights, que me abriu os olhos para tantas coisas, e me confortou e incentivou de uma maneira que ninguém à minha volta conseguiu fazer.

Hoje, o aconselhamento que posso tentar dar a quem começa a amamentar é: tenha calma. Amamentar é um relacionamento, é igual a um início de namoro: a gente sente aquela paixão avassaladora, que nos faz perder o ar, arfar de ansiedade, e dói no peito (assim como doem os seios). Mas à medida que vamos estreitando esse relacionamento, conhecendo, convivendo, disponibilizando nosso corpo, ficando mais seguras, a paixão vira amor, um amor tranquilo, fluido, sem traumas.

Amamentar vale à pena! Procure orientação e ajuda sempre que não estiver correndo tudo bem. Boa sorte!

Lista de bancos de leite de Brasília (onde as enfermeiras podem te orientar sobre a pega do bebê e outras dúvidas sobre amamentação):

http://www.redeblh.fiocruz.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=432

Contato de Soyama Brasileiro, especialista em amamentação: http://manualdama.dominiotemporario.com/parceiros/detalhes/dra.-soyama-brasileiro_materias

Serão realizadas “Horas do Mamaço” em todo o país em celebração da Semana do Aleitamento Materno. A Hora do Mamaço foi criada em 2012 pela AMS Brasil, e no ano passado resultou neste vídeo http://www.youtube.com/watch?v=m3iqpZC-B8I com quase 200 fotos e 45 cidades envolvidas. Foi um sucesso e o vídeo já atingiu a marca das 15 mil visualizações.

Este ano, foi proposto um novo desafio: que fossem gravados vídeos em vez de fotos da mobilização de mães em todo o Brasil. Se você tem perfil no Facebook, procure por “Hora do Mamaço”, e localize sua cidade, caso queira participar. Aqui em Brasília,  a Hora do Mamaço será no dia 4 de agosto, em frente à Catedral Metropolitana de Brasília, para uma tomada de vídeo com todos os bebês sendo amamentados simultaneamente. Logo depois, será realizada uma caminhada até o gramado em frente ao Congresso Nacional, onde será filmada outra tomada do mamaço. 

A concentração será em frente à Catedral, às 15:30h. Essa primeira tomada será filmada às 16 horas. Assim, dá para conseguir boa luminosidade para o vídeo, não se sacrifica a pele dos bebês ao sol forte, e tudo poderá ser encerrado antes de esfriar o dia.

A organização do evento pede que as participantes levem cartazes que expressem, em 10 palavras, as emoções de amamentar! Para inspiração, divulgamos dois selinhos que desenvolvemos com a Nathalia, nossa parceria do Ateliê de Decoração Personalizada:

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O evento contará com bate-papo sobre amamentação, conceitos de shantala, lanche comunitário e muita troca de experiências! Contará ainda com sorteio de um WrapSling, da BSBSling e com o sorteio de convites para o Cinematerna.

Para mais informações, acesse a fanpage do evento AQUI.

Autoria de Mari Oliveira

Sou mãe, esposa, filha e irmã off-line.
Tradutora, fã dos Beatles e mãe de primeira viagem on-line.
No dia 13 de maio de 2011, ouvi Maria Betânia cantar e o obstetra repetir: “Você verá que a emoção começa agora”.
Eles estavam certos!