julia_eco

Eu tenho, muito presentes na minha vida, um avô, pai, três irmãos, quatro tios, um marido. Tenho um grupo bem unido de amigos da faculdade, onde somos duas mulheres e quatro homens. Claro, também tenho mãe, tias e amigas, mas desde sempre a presença masculina sempre foi muito mais forte e numerosa em minha vida.

Não acho que eu seja masculinizada, mas super feminina também não sou: não sou apaixonada por maquiagem, não sou delicada e falo muito palavrão. Por isso, quando a ideia de ser mãe começou a se fortalecer na minha cabeça e no meu coração, foi muito natural para mim a preferência declarada: menino!

Eu nem chegava a cogitar nomes de meninas… E sempre pensei em muitos nomes de menino. Assim que me casei, me deu um siricutico e passei a comprar e guardar roupinhas de bebê — tudo muito azul e marrom para o meu “futuro filho”.

Um mês antes de descobrir que estava grávida, passei uma noite com a filha de 3 anos de uma prima, e correu um pensamento pela minha cabeça que talvez não fosse tão ruim assim ser mãe de menina, mas nem levei a sério.

Engravidei rápido, em agosto de 2010, apenas um mês depois de tirar o DIU, e como segui a famosa tabela chinesa tinha certeza que esperava um menino. Acreditei em tudo quanto foi crendice, desde formato de barriga até simpatia da aliança girando na mão. Eu estava grávida de menino sim, e ai de quem falasse o contrário!

Até o dia da ecografia das 12 semanas, quando a médica arriscou um “acho que vem menina por aí, porque o osso tal está no formato tal e pelos meus estudos e estatísticas, é menina, mas não é certeza, espera a próxima ecografia”. Eu só me lembro de ter ouvido “blábláblá, menina, blábláblá, com certeza”. Não esperei nem um dia para correr ao Sabin mais próximo e morrer em 3x no cartão: eu precisava fazer a sexagem fetal.

A resposta saiu em três dias: FEMININO. Realmente estava esperando uma menina. “Como assim?? Eu sou tosca demais, como vou educar essa garota? Meninas sofrem mais, como eu vou protegê-la, como vou evitar que ela tenha minhas heranças?” (tipo depilação a cada 10 dias, gente, vocês sabem o que é isso?) — foi a primeira coisa que pensei. Depois, tive pena (Podia ter escolhido uma mãe mais mulherzinha, hein, bebê?!) E fiquei uns 2 dias em choque, devo confessar…

É bom deixar claro que eu nunca rejeitei você, minha filha. Só não tinha imaginado… Afinal, tinha construído um mundo materno onde tudo era azul. Mas abracei o desafio de desconstruir tudo e me embrenhar nesse mundo cheio de laçarotes! E a cada ecografia ia curtindo mais a ideia de ter uma menininha, ia me apaixonando por você, pensando que você poderia ser a melhor amiga que eu já tive.

Você nasceu no dia 13 de maio de 2011. Na nossa primeira madrugada juntas, enquanto seu pai dormia no sofá do quarto da maternidade e você mamava no meu seio, olhei para você e fui arrebatada! Naquela hora entendi tudo! Eu nunca poderia ter tido um menino, porque na verdade meu coração sempre foi seu, Júlia! Só que precisei viver até aquele momento e ter uma ideia equivocada de preferência para realizar isso, para saber que só você me faria feliz, só por você eu sentiria o amor mais gostoso deste mundo.

E você é tão maravilhosa que já mudou todo o meu comportamento e o benefício é todo meu. É por você que estou tentando falar menos palavrão (tentando, rs!), ser mais delicada e mais suave. Além disso, depois que você nasceu, eu amo e respeito a minha própria mãe muito mais. Hoje, digo que nasci para ser mãe de menina – eu nasci para ser mãe da Júlia!

Meu mundo está ficando cor-de-rosa e eu estou ADORANDO!

Autoria de Mari Oliveira
Sou mãe, esposa, filha e irmã off-line. Tradutora, fã dos Beatles e mãe de primeira viagem on-line. No dia 13 de maio de 2011, ouvi Maria Betânia cantar e o obstetra repetir: “Você verá que a emoção começa agora”. Eles estavam certos!