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Já li muitos posts bons (inspiradores e divertidos) sobre “coisas que não se diz” para uma mãe que trabalha fora.

Eu me identifico com a situação e com as mães que sofrem com os comentários desagradáveis sobre este assunto não só porque trabalho fora desde que a minha filha Bruna tem 5 meses, mas porque trabalho muito e porque GOSTO de trabalhar.

Admiro as mães que optam por não trabalhar e se dedicam ao máximo à maternidade, no dia-a-dia. Mas também admiro as mães que não podem deixar de trabalhar ou simplesmente não querem deixar de trabalhar e estão em paz com essa situação.

Tudo bem que alguns conselhos são sinceros ou sem intenção de ofender e tal. E tudo bem que, muitas vezes, quem toca nessa questão o faz por falta de assunto. Mas que é chato, invasivo e desnecessário, ninguém pode negar…

O que a gente mais ouve:

“Que pena que você tenha que voltar ao trabalho.”

Reflexão: E quem disse que todo mundo que trabalha faz isso por obrigação? Por que uma mulher não pode se dedicar a uma carreira ou profissão depois de ser mãe? E quem é que não precisa de dinheiro para sobreviver?!

“Já que você quer trabalhar, por que não trabalha só meio período?”

– Simples, cara pálida: por que meu chefe não precisa de uma funcionária só meio período.

Reflexão: Quem disse que é fácil encontrar empregos por meio período?!

“Por que você não fica em casa só um ano, depois você volta ao mercado?”

– É, porque tá tão fácil encontrar emprego, né? Ainda mais um que a gente goste…

“Não tem jeito mesmo como você ficar em casa com ele?”

– Não tem jeito mesmo de você pagar as minhas contas?

“Como você consegue ficar o dia todo longe do seu filho?”

Reflexão: Esta é cruel! Sugere que quem “consegue” é uma mãe pior, pouco carinhosa. Não entendo porque as pessoas se sentem bem em colocar a outra nessa situação!

Claro que as mães que trabalham fora sentem falta dos filhos… Sentem muita! Assim como as que não trabalham devem, em algum momento, sentir falta de sair de casa, ver gente, ter uma atividade. Sem falar no plano de saúde, nas férias remuneradas e tudo que um bom salário proporciona para a minha família!

“Eu parei de trabalhar para ser mãe em tempo integral.”

– Eu também sou mãe em tempo integral, ué. Não deixei de ser mãe porque estou fora de casa por 8 horas, idiota! (o aposto é um opcional quase obrigatório neste caso!)

“Seu marido não consegue sustentar a casa?”

– Não, infelizmente, o chefe não triplicou o salário dele quando soube que eu estava grávida!

Afff… As despesas com a chegada da criança aumentam e tem maluco que acredita ser possível diminuir a renda nesse contexto!

“Não sei como você dá conta de trabalhar sabendo que seu filho está em casa, com febre.”

Reflexão: Esta também é bem cruel! Sugere que quem vai trabalhar deixando o filho em casa o faz por opção! Credo! Bom seria se as mães trabalhadoras pudessem faltar o trabalho para acompanhar o filho doente, sempre que necessário.

“Como você consegue deixar que outras pessoas criem seu filho?”

Hein?! Quem disse que meu filho está sendo CRIADO por outras pessoas, idiota?  (o aposto é um opcional quase obrigatório neste caso!)

“Colocar filho no mundo para os outros criarem é fácil…”

– Também é fácil ficar calado quando não se tem nada de bom a dizer!

Engraçado é que a mesma pessoa que te faz o comentário acima, diz assim: “Mas sua mãe/sua sogra não pode ficar com ele?”

Decida-se… Ainda agora você tava me criticando dizendo que “outros” criam meu filho, agora tá me sugerindo que faça exatamente isso, deixando-o com mãe ou sogra?

 

Autoria de Iza Garcia

“Já quis ser ‘médica de criança’, pipoqueira e costureira. Cursei inglês, italiano, castelhano, mas só falo português. Fiz Direito e Ciência Política, e curto ser blogueira. Desde 11/10/2010 sou “MÃE DA BRUNA” e realizada ao descobrir algo p/ ser a vida inteira”.