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Nós no Roteiro Baby não levantamos bandeiras sobre via de parto, e nem queremos cair na discussão (inútil) de “mais-mãe-porque-teve-parto-normal x menos-mãe-porque-fez-cesárea”. O que não quer dizer que fechamos os olhos para a realidade brasileira, o número altíssimo de partos cirúrgicos desnecessários feitos no país, bem como os partos sem respeito, sem acolhimento da gestante, da violência que é uma grávida ouvir “na hora de fazer não gritou, né?” (como ouviu a antiga babá da minha filha, quando foi ter sua própria filha há 5 anos).

Eu AMO ver vídeos e fotos de parto normal. Não consegui ter o meu (confesso: amarelei), por isso me realizo vendo fotos e vídeos dos partos normais das outras. E desde que Júlia nasceu que eu vejo (e me emociono com) pequenos pedaços de um documentário chamado “O Renascimento do Parto”, sobre essa questão de se ter deixado para trás o natural em prol do mecanizado, frio, sem aconchego. Que fique claro: o filme não  trata de ‘demonizar’ a cesárea, até mesmo porque, como diz a obstetra Fernanda Macedo no filme, “a cesárea é uma cirurgia maravilhosa, que salva vidas todos os dias. Mas não é para ser feita em todas as pacientes, de uma maneira desnecessária (…)

O trailer tem vários depoimentos de médicos, especialistas, e de Márcio Garcia, ator, e sua esposa Andrea. Que de todos os depoimentos, foram para mim os mais impactantes. Só por que Márcio Garcia é ator e famoso? Não. Porque a partir de 4:10 no trailer ele e a esposa descrevem uma cena que eu – graças a Deus, meu marido, minha doula, meu obstetra e a pediatra do hospital onde Júlia nasceu – não vivi, mas já escutei demais: o bebê que nasce de cesárea, e é levado pra longe da mãe, sem que ela possa nem vê-lo de relance, e é manipulado, sugado, revirado como um frango… Sem amor, sem acolhimento, no momento mais lindo que é o momento em que mãe e filho finalmente vão se conhecer, se ver, pela primeira vez. Isso, para mim, é a síntese da violência obstétrica: a falta de empatia e acolhimento.

Isso PRECISA mudar. E a gente pode fazer nossa parte, mesmo que seja um trabalho de formiguinha na conscientização e defesa por nascimentos com mais calor humano. O documentário em longa-metragem (90 min) “O Renascimento do Parto” está totalmente finalizado e em negociação para distribuição nos cinemas. Até o momento, todas as despesas do filme foram custeadas com recursos próprios dos autores. No entanto, existem custos inerentes à distribuição que no momento eles não têm condições de arcar sozinhos, e por isso iniciaram uma campanha de financiamento coletivo para que o filme possa o quanto antes ser disponibilizado nos cinemas e logo depois em DVD. Os recursos que precisam ser levantados são para os custos de distribuição, material gráfico de divulgação, assessoria de imprensa nacional, eventos de pré estréia, primeira tiragem de DVDs e disponibilização nas principais livrarias do país, criação do portal oficial do filme, etc.

Se você acredita na causa da humanização do nascimento, acesse http://benfeitoria.com/o-renascimento-do-parto. Você pode contribuir com qualquer quantia a partir de R$30. Em 4 dias de campanha já foram arrecadados mais de 50 mil reais para o lançamento desse filme.

E se você ainda está na dúvida, assista ao trailer (e se emocione também). O nascimento de um bebê é o que de mais lindo pode acontecer a uma família,  e não pode ser um evento tratado como Andrea Santa Rosa Garcia descreve – preste atenção nas palavras dela, é um fato triste demais.

(Se o dinheiro necessário para o lançamento do filme não for arrecadado até 18/06, todos os doadores receberão de volta o valor doado).

 

Autoria de Mari Oliveira

Sou mãe, esposa, filha e irmã off-line.
Tradutora, fã dos Beatles e mãe de primeira viagem on-line.
No dia 13 de maio de 2011, ouvi Maria Betânia cantar e o obstetra repetir: “Você verá que a emoção começa agora”.
Eles estavam certos!