[Foto by Ricson Onodera]

Quando eu participei do seminário da Revista CRESCER, como parte da parceria com a Fisher-Price, tive a oportunidade de conhecer e conversar com a especialista em desenvolvimento infantil Teresa Ruas, que me respondeu algumas perguntas sobre a importância de brincar.

Esta semana, ela esteve disponível para os blogs que foram nomeados Embaixadores Fisher-Price para responder as dúvidas que ainda pudessem ter permanecido depois do seminário. Hoje, divulgo as respostas:

– Devo deixar minha filha brincar livremente, do jeito que quiser? Ou devo ensiná-la a usar os brinquedos e supervisionar seu desempenho?

Não existe uma fórmula pra isso! Gosto muito da mescla entre a liberdade e a possibilidade de intervir/interagir. O brincar livre é extremamente importante, pois é um momento de livre expressão da criança, sem normas e regras fixas.
A criança precisa (e muito) deste momento. Porém, também podemos e devemos proporcionar o brincar dirigido. Neste momento, promovemos a experiência e a aprendizagem de conceitos, valores e regras específicas. Um momento tão importante quanto. No entanto, vale frisar que a participação e o acompanhamento dos pais frente ao desenvolvimento de seus filhos são fundamentais em todas as fases e momentos da vida, não é mesmo?

– Devo colocar limites nas brincadeiras?

Aqui também não existe uma receita pronta. Depende do contexto, do tipo de interação que a brincadeira proporciona e do objetivo que ela tem.

– Posso deixá-la brincar com eletrônicos?

A questão não é a negação ou a permissão e, sim, a forma, a quantidade e a qualidade da interação das crianças com os eletrônicos.

– Existe “brincadeira de menino” ou “brincadeira de menina”? Eu posso direcionar essas brincadeiras?

A cultura nomeia e identifica como brincadeiras de menino e as de menina. A questão é que não podemos negar a experiência de brincadeiras de menina para menino e vice-versa. Costumo dizer que o preconceito e o medo são dos adultos e não das crianças. As crianças querem apenas experiências diferentes, outras vivências de papéis sociais, até para comparar e perceber as diferenças e igualdades entre o mundo feminino e o masculino.

– Quando nossos filhos brincam com outras crianças, devemos deixar livres ou devemos interferir (quando, por exemplo, tomam brinquedos de outra criança, batem, etc? Ou quando outras crianças fazem isso com nossos filhos?)

Aqui também temos que proporcionar a mescla entre a liberdade e o limite, assim como tudo na vida. Os pais precisam proporcionar o equilíbrio, não apenas os extremos (só a liberdade ou só o limite). Porém, devemos lembrar que muitas vezes o limite e a regra vêm da própria criança/ o outro que está com seu filho  e/ou do próprio contexto criado pelas crianças. Em algumas situações é saudável que os adultos permitam que as crianças cheguem a um acordo. Porém, a interferência dos adultos é sempre bem-vinda para direcionar situações difíceis que ocorrem em toda relação afetiva e social, principalmente, quando estamos em grupo.

– Como lidar com a criança tímida que só quer brincar com a mãe?

Essa pergunta é bem difícil. Como especialista, me preocupo em saber as causas e os motivos desta timidez tão acentuada e desta relação única com a mãe. Como as causas podem ser multifatoriais (ambiente, característica da criança, estilo parental, fase, entre outros), é sempre necessário analisar a criança para dar um direcionamento melhor.

Autoria de Mari Oliveira
Sou mãe, esposa, filha e irmã off-line. Tradutora, fã dos Beatles e mãe de primeira viagem on-line. No dia 13 de maio de 2011, ouvi Maria Betânia cantar e o obstetra repetir: “Você verá que a emoção começa agora”. Eles estavam certos!