Célestin Freinet foi um pedagogo francês que viveu entre os anos de 1896 a 1966.

Nas primeiras décadas do século XX, Freinet se posicionou contra o ensino tradicionalista, propondo uma educação ativa com foco no estudante, na qual trabalho e cooperação tem lugar de destaque. Preocupava-se com a formação de um ser humano livre, responsável e autônomo, que pudesse contribuir na transformação da sociedade. Defendia através da Pedagogia do Bom Senso que, o histórico pessoal da criança deve interagir com os novos conhecimentos e, desta relação, seu futuro vai se construindo.

A Pedagogia Freinet se baseia em quatro eixos principais: a cooperação, a comunicação, a documentação e a afetividade.

O “Livro da Vida”, uma das técnicas deixadas pelo pedagogo, refere-se ao eixo da documentação, para que a criança possa registrar aquilo que é significante para ela, procurando sempre relacionar com a sua própria vida. O livro foi concebido para ser utilizado nas escolas, mas nada impede que seja feito em casa.

Nele, a criança relata fatos marcantes, que ocorreram dentro ou fora da sala de aula, como excursões, um novo conteúdo aprendido, um desentendimento com algum colega, uma brincadeira nova, um evento importante, uma angústia ou qualquer outra situação que ela deseje expor, não precisa ser um assunto escolar.

A forma como aplicar, seja diário ou não, é livre. Dependerá da rotina da casa. O importante é que seja um momento prazeroso e não uma obrigação. A prática pode ser iniciada quando a criança já possui certo domínio de leitura e escrita. O final? Quem irá decidir (e perceber) serão os envolvidos na atividade.

Além da escrita, o registro pode ser feito através de fotos, desenhos, recortes, o que a criatividade permitir.

O que não pode faltar é a troca e o diálogo entre a família.

Além dos benefícios referentes aos laços afetivos, a criança trabalha com:

– Vocabulário.
– Escrita.
– Temporalidade.
– Relembrar temas interessantes discutidos na escola e relacioná-los/combiná-los com sua utilidade para vida.
– Desenho, pintura, texto.
– Livre expressão, criatividade.
– Diferentes modos de ver a aula e a vida.

O “Livro da Vida” pode ser guardado e a criança acompanha todas as fases de seu desenvolvimento, relembrando o que passou, observando sua evolução e amadurecimento.

Você mostra que se importa com o que seu filho está vivendo, aprendendo, que está disposto a compartilhar todos os momentos (bons e ruins) com ele, além de criar um canal direto de comunicação.

Vale a pena tentar!

“Se não encontrarmos respostas adequadas a todas as questões sobre educação, continuaremos a forjar almas de escravos em nossos filhos”. Célestin Freinet

FONTE: Blog “A Escola Para a Vida”.

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IMPORTANTE: Post escrito pela pedagoga Mariana Torres, educadora e escritora do Blog “A Escola para a Vida”, colaboradora do Blog Roteiro Baby.

Autoria de Iza Garcia
"Já quis ser 'médica de criança', pipoqueira e costureira. Cursei inglês, italiano, castelhano, mas só falo português. Fiz Direito e Ciência Política, e curto ser blogueira. Desde 11/10/2010 sou "MÃE DA BRUNA" e realizada ao descobrir algo p/ ser a vida inteira".