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 Na turma do Snoopy (amo, amo e amo!) existe um personagem chamado Linus, um menino de camisa vermelha que carrega para todos os cantos aonde vai um amigo inseparável: o paninho azul, que Snoopy volta e meia tenta roubar.

Não são poucas as tirinhas em que Linus abre o berreiro ou derruba tudo que pode aparecer pelo caminho no esforço de manter-se firmemente agarrado ao seu paninho.

Assim como ele, muitas crianças cultivam essa amizade. Seja o paninho ou um bichinho de pelúcia o apego a este objeto é uma imagem muito comum de se ver nos primeiros anos de vida.

Há quem ache bonitinho (tem gosto pra tudo). 

Durante as compras do enxoval da minha filha Bruna, quando eu perguntei para uma vendedora qual era a utilidade de uma determinada naninha que vinha com uns “frufrus a mais” ela me respondeu, meio baixinho (escondido da dona da loja) “para te convencer a comprar uma coisa que você se arrependerá depois”.

É claro que eu não comprei uma naninha para a Bruna. E acho mesmo que esses paninhos e manias são coias que as mães inventam, e não as crianças. Mas aí, também foi mais uma das coisa que eu quis evitar e que foram meio inevitáveis lá em casa. Tipo aquela coisa que a gente acha que não vai fazer quando for mãe e acaba fazendo.

Não dei uma naninha específica para a Bruna, mas sempre dava uma fraldinha para ela dormir, para limpar um restinho de leite ou para esquentá-la, por exemplo. Sempre havia uma fraldinha por perto dela e mesmo sem a intenção de oferecer a ela um paninho que fosse virar mania, ela TEM essa mania de dormir com uma paninho ( que raiva de mim!)

E preocupada com “esse apego ao paninho ou qualquer objeto de escolha da criança”, li que o fato está diretamente ligado às fases do desenvolvimento infantil.

Sabemos que a primeira forma de comunicação encontrada pela criança é o choro, que serve para avisar que estão com fome, com dor ou em busca de carinho. No entanto à medida que eles vão evoluindo, os pequenos fazem novas descobertas e, juntamente com elas, novos dramas e conflitos lhes são apresentados.

Entre eles está a descoberta de que nem sempre a mãe estará disponível no exato momento em que necessitam, o que gera certa insegurança. “Quando a criança é muito pequena e não consegue estabelecer uma linguagem verbal, ela cria estratégias para se manter neste mundo, a princípio, confuso e até assustador. Por isso o choro é uma ferramenta eficaz na hora da dor, do desconforto ou como meio de se estabelecer uma comunicação. O alento, por sua vez, virá na forma do carinho da mãe (se esta estiver disponível) ou pode vir através do paninho ou bichinho, enfim, em algo que ela estabeleça um vínculo capaz de amenizar seu sofrimento no momento”, explica a psicóloga, especializada em Terapia de Família.

Antes que o sentimento de culpa tome conta da mãe que estiver lendo essa matéria, vale lembrar que esse apego não necessariamente advém de uma carência afetiva, ou seja, não significa que a mãe é distante, indiferente ou falta com amor ao filho. Essa indisponibilidade é momentânea, às vezes a criança sabe que a mãe está ali, mas por alguma razão não pode largar tudo porque o filho requer atenção naquele momento.

Os objetos de apego são usados pela criança como um suporte na conquista da autonomia, uma vez que funcionam como uma espécie de substituto materno auxiliando à criança organizar-se na ausência das figuras de referência.

Cada criança tem seu tempo em termos de amadurecimento emocional. Algumas necessitam de mais, outras de menos para se adaptar ao ambiente, às pessoas e é necessário que os pais tenham sensibilidade para respeitar o que ela pensa, sente e faz.

As crianças, ao se sentirem sozinhas na cama, na creche ou no jardim-de-infância, usam estes objetos para se sentirem mais confortadas e até mesmo confiantes.

Nem todas as crianças sentem essa necessidade do apego por um objeto. No entanto, não significa, exatamente, que esta criança atingiu um grau de maturidade ideal, mas que talvez, ela possui outro foco de atenção emocional. Pode ser uma chupeta, uma brincadeira, um esporte. “A escolha não acontece aleatoriamente, ou seja, tem um significado emocional pra essa criança,” ressalta a terapeuta.

Ao longo do tempo, a criança percebe que sua mãe não pode estar 24 horas ao seu dispor, ela precisa se afastar por alguns momentos e essa distância faz com que a criança se apegue a algo que, emocionalmente, preencha essa lacuna. Por isso que, na hora de dormir, seu objeto de apego se torna tão indispensável.

Na hora do sono, a criança vai à busca de algo que a conforte que lhe traga tranqüilidade e, frequentemente, procura por aquele objeto que ela elegeu como fonte de consolo justamente por que lhe transmite a sensação de que continua “ligada” à mãe ou ao pai. E acredite, essa ligação vem através do cheiro. De alguma maneira remete a lembrança do cheiro da mãe. Por isso não gosta que ele seja lavado. Essa suposta dependência assusta aos pais. Mas para o amadurecimento emocional da criança é preciso estabelecer nesse momento um diálogo entre pais e filhos. “Conversar com seu filho sobre a importância de se manter a higiene de seu “amigo paninho” faz parte dos laços de confiança que se deve estabelecer entre os familiares.

Muitas crianças têm a ilusão de que algo terrível possa acontecer (furar, molhar, estragar) ou até mesmo pela mudança de aroma que o mesmo irá adquirir.

A medida que vai ganhando autonomia emocional a criança vai se desprendendo do objeto de apego. Entretanto, se ele persiste de forma exagerada ou se a criança tem muita dificuldade em separar-se do mesmo, vale lembrar o que já foi dito, este objeto é eficaz como forma de consolo e não algo substituto.

DICAS:

– aceite este momento como uma etapa natural do desenvolvimento e não o valorize demasiado. Não existe uma idade certa para a criança deixar de precisar destes objetos pois isso depende da maturação de cada criança.

– se ela já possui um bom nível de interação verbal, a comunicação entre os familiares deve ser valorizada e este desapego deve ser gradativo e sem sofrimento.

– sempre que deixar de precisar do seu amigo paninho valorize-a perante o seus amiguinhos, aumentando a sua auto-estima pelo fato de já ser “crescida”, funcionando simultaneamente como modelo para as outras crianças.

se seu filho ainda está começando com essa “mania”, procure não oferecer um único objeto (como eu fiz!) para que a rotina seja facilitada. Se o conforto vem com um paninho qualquer, a vida da mãe fica mais fácil. Mas se a criança cria apego a um paninho/naninha específica, os problemas são maiores.

FONTE: Portal Absoluta

Autoria de Iza Garcia

“Já quis ser ‘médica de criança’, pipoqueira e costureira. Cursei inglês, italiano, castelhano, mas só falo português. Fiz Direito e Ciência Política, e curto ser blogueira. Desde 11/10/2010 sou “MÃE DA BRUNA” e realizada ao descobrir algo p/ ser a vida inteira”.