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Quero apresentar à vocês, mais uma vez, a Mariana Torres, pedagoga, formada pela Universidade de São Paulo e colaboradora do Roteiro Baby por uma temporada. A Mari tem experiência em educação, por ter trabalhado alguns anos em escolas públicas e particulares, com crianças e jovens. Mas seu encantamento surge com a educação essencial, que a inspira a escrever o Blog A Escola para a Vida.

Nós já publicamos este texto AQUI da Mari no Roteiro Baby e, a partir desta semana, as publicações serão semanais.

AUTOCONTROLE: A CRIANÇA PRECISA DELE?
 
Walter Mischel, um psicólogo da Universidade de Stanford, no final dos anos 60, realizou um experimento com crianças de aproximadamente 4 anos, a fim de observar a habilidade de aguardar por uma gratificação, o que exige: autocontrole.
 
O autocontrole pode ser definido como a capacidade de controlar, de forma racional, as reações ligadas a emoções, sentimentos e afetos.  Uma criança que cresce e desenvolve seu autocontrole será um adulto mais feliz, pois saberá lidar com suas frustrações e com a paciência que esta vida nos exige.
 
Ao experimento de Mischel deu-se o nome de “Teste do Marshmallow”, e ocorreu algo parecido com o que vemos neste vídeo:
 
 
A diferença entre este teste  do vídeo e o de Mischel é basicamente um sino, que a criança deveria tocar caso não aguentasse esperar os 15 minutos estipulados para a volta do pesquisador. Além é claro, da diferença de época na qual as crianças viveram. Talvez hoje, seja ainda mais difícil para os pequenos resistirem, já que são mais acostumados a ter tudo o que desejam e o mais rápido possível.
 
Segundo Mischel, algumas crianças só lembravam de tocar o sino após se deliciar com a guloseima, tamanho era o impulso diante da necessidade de satisfazer seu desejo.  A maioria sucumbiu à tentação antes de 3 minutos de tentativa e cerca de 30% conseguiu vencer o desafio. Será que seu filho faria parte da maioria ou da minoria mais autocontrolada?
 
As crianças que aguardaram pelo segundo marshmallow, de acordo com a análise de horas de gravação por Mischel, utilizaram estratégias como: andar pela sala, brincar de esconde esconde em baixo da mesa, cantar, enfim. O segredo foi tirar o foco do desejo mais imediato por um objetivo maior.
 
Querer esperar por um marshmallow adicional todos os pequenos queriam, o problema é que querer, às vezes, não é poder. E querer só é poder quando mantemos nosso autocontrole elevado, aliado à persistência de se manter em um propósito.
 
Passados alguns anos, Mischel procurou as mesmas crianças, já na fase da adolescência e realizou uma outra pesquisa, envolvendo seus Pais e Professores. O que o psicólogo descobriu? Que aqueles que resistiram à tentação e aguardaram para dobrar sua recompensa eram mais comportados, em casa e na escola. Eram também mais atentos, apresentavam menos propensão a vícios além de manterem amizades mais duradouras. Já os outros com baixa capacidade de autocontrole, apresentavam maiores dificuldade em superar frustrações e vencer desafios, exibindo traços de agressividade e negatividade.
 
Estes resultados já seriam suficientes para exercitarmos o autocontrole em nossos filhos. Mas, existem muitas outras vantagens em ser uma pessoa com a capacidade elevada de se autocontrolar. Em diversas esferas da vida, esta característica é fundamental para o sucesso e para a felicidade.
 
À medida que a criança cresce e vai adquirindo liberdade, é essencial que esta esteja alicerçada em uma alta dose de responsabilidade, que por sua vez, depende em grande parte, do autocontrole do indivíduo, do refletir antes de agir. Especialmente na adolescência, formar um ser autocontrolado e bem orientado para a vida, é um grande passo para que ele evite situações prejudiciais sem precisar da constante intervenção dos Pais. Se for necessário estudar para o vestibular, o adolescente  autocontrolado, com firmeza de propósito, não checará emails, facebook ou twitter de minuto em minuto, e recusará certas saídas com os amigos se assim for preciso, afinal, ele tem um objetivo e sabe como controlar seus impulsos.
 
Pelo autocontrole aprendemos a eleger nossas prioridades e definir nossas metas e objetivos, sem desistir daquilo que é importante independente dos obstáculos que enfrentemos. No livro “Inteligência Emocional”, Daniel Goleman cita o autocontrole como a aptidão central da inteligência emocional.
 
Experimente fazer o “Teste do Marshmallow” em casa. Será que seu filho irá resistir? Você o está educando para desenvolver esta capacidade?
 
Lembre-se: somente Pais/Educadores com persistência, firmeza e autocontrole, conseguem bem educar suas crianças. De nada adianta querer desenvolver esta característica em seu filho se você não a tem. Bater e gritar, por exemplo, são demonstrações de forte descontrole emocional. Não é assim que se dá o exemplo.
 
Se a criança fizer escândalos em supermercados e shoppings por querer algum produto, não dê. Nem agora e nem depois. Ensine-a a esperar por aquilo que ela deseja. Com o passar do tempo, vá aumentando o prazo das recompensas e o espaço entre as mesadas. Mostre o valor de algo que ela queira muito e incentive-a a juntar dinheiro para comprar. Não dê tudo o que ela quer na hora que ela quer.  Se os bebês chorarem por manha, não atenda. Se o colocou no carrinho e ele reclamar, mantenha sua postura, para que ele entenda e respeite suas ordens. Não deixe que seu filho interrompa suas conversas e suas atividades de minuto em minuto. Sabe, aquelas crianças que ficam: “Mãe, Mãe, Mãe”… Isso é descontrole.
 
Os pequenos percebem a firmeza de seus Pais e sabem até onde podem chegar com a birra.
 
Uma excelente técnica para desenvolver o seu autocontrole e assim exercitá-lo em seu filho é a meditação, uma prática milenar que traz muitos benefícios a quem pratica. Procure informar-se, 15 minutos por dia já são suficientes, ou, encontre algo para se melhorar, só então conseguimos melhorar alguém.
 
FONTE: Blog A Escola para a Vida, colaborador do Roteiro Baby.

Autoria de Iza Garcia
"Já quis ser 'médica de criança', pipoqueira e costureira. Cursei inglês, italiano, castelhano, mas só falo português. Fiz Direito e Ciência Política, e curto ser blogueira. Desde 11/10/2010 sou "MÃE DA BRUNA" e realizada ao descobrir algo p/ ser a vida inteira".