Depois de observar (e aprender!) com os posts de outras mães blogueiras, também aderi ao chamado da Celia Santos, do Blog Desabafo de Mãe  que, nesta semana, convidou as interessadas para um blogagem coletiva para discutir o tema “racismo”.
Sou mãe de primeira viagem de uma menininha de apenas 5 meses e tenho pouco a contribuir sobre a nossa convivência com o tema. Por ora, venho tentando me informar ao máximo sobre educação infantil, seja pela leitura de especialistas, seja observando os relatos de mães mais experientes que eu, que compartilham suas experiências na internet.
A história que compartilho diz respeito à minha infância e a forma que a minha mãe, sabidamente, conduziu o assunto lá em casa.
É importante destacar que minha edução foi exemplar nesse sentido. Eu convivi com diferenças na minha infância de uma forma bem leve, mas diária, graças ao empenho da minha mãe. Ela me levava, frequentemente, para doar brinquedos para crianças carentes na periferia da nossa cidade, me fazia usar as roupas que eu ganhava de um primo (menino), me dava skate, carrinho, playmobil e outros brinquedos “de meninos” na mesma proporção que as bonecas, meu quarto nunca foi todo rosa, nunca tive uma festa de princesa, participava de atividades em bairros distantes do que eu morava, para conviver com crianças de “condições sociais” diversas e coisas desse tipo.  
A HISTORINHA
Quando eu tinha +-8 anos, meus pais decidiram me matricular em uma escola municipal de Goiânia que tinha fama de ser uma das melhores da cidade.
Nós éramos de classe média baixa, mas tínhamos condições de pagar uma escola particular. No entando, diante da boa fama da escola, minha mãe se empenhou em conseguir a vaga para mim, dormindo na fila da matrícula, e optou em gastar o dinheiro economizado com essa medida em cursos (de natação e inglês) que eu não faria se o dinheiro para tanto fosse gasto na escola.
Como ela tinha consciência de que eu ocupava a vaga de uma criança mais “carente”, organizou uma espécie de “associação de pais” de crianças que estavam na mesma situação, para contribuir com a escola. 
Essa associação levantava recursos e fazia doações que permitiam que a escola tivesse máquina de xérox, produtos para limpeza, manutenções diversas, ventiladores, uma merenda escolar mais nutritiva e gostosa…
Além da economia que, como eu já disse, não era necessária lá em casa, mas foi muito bem vinda; minha mãe pretendida, com a minha matrícula em uma escola pública, me ensinar mais sobre diferenças, sobre a convivência com outras crianças, sobre humildade etc. 
No entanto, ainda que as crianças não tenham noção exata do que venha a ser crueldade, elas são capazes de serem cruéis. 
Por mais que a minha mãe tentasse me ensinar que eu era igual as outras crianças, que eu tinha que respeitá-las e tudo o mais, eu, rapidamente, me destaquei entre elas, por ter mais condições financeiras… eu tinha a mochila mais bonita, um estojo cheio de lápis fofos, o uniforme mais limpo e novinho, os livros caprichosamente encapadinhos e essas coisas que fazem os olhos de uma criança brilhar. As crianças também sabiam que minha mãe “comprava” algumas coisas para a escola e isso fazia de mim, “alguém importante” lá dentro.
Por mais que a minha mãe quisesse me fazer entender que eu era igual às outras crianças, o fato é que eu não era. 
Quando tinha algum evento na escola, eu sempre ganhava destaque. Na quadrilha eu era a noiva, no teatrinho eu tinha o papel principal, na gincana eu era líder… porque minha mãe comprava para mim as fantasias, porque eu me interessava em ser protagonista e, principalmente, porque os coleguinhas me tratavam de forma especial… com um toque de admiração e inveja, ainda que infantis. 
Resultado: eu nunca me senti igual naquela escola. Talvez eu até teria demorado mais para ter a “maldade” de me sentir superior. Mas, toda aquela situação, me fazia, sim, me sentir melhor que os coleguinhas.  
É claro que não me orgulho disso… mas eu era criança, gente. Minha mãe teve a melhor das intenções…
O problema é que eu comecei a escolher os amiguinhos que “mereciam” estar no meu grupo e a preterir os mais humildes.
E, o problema maior é que muitos coleguinhas me imitavam e também preteriam aqueles que eu preteria. 
Sim… hoje isso tem nome: bulliyng!  
AS REFLEXÕES E O MELHOR DA HISTÓRIA
Minha mãe demorou para saber que isso tudo acontecia. E quando soube, ficou uma fera… e logo tomou providências que incluíam as seguintes medidas: eu era obrigada a trocar meu lanche com os coleguinhas que ela indicava (eu levava suquinho e bolachas gostosas e era obrigada a trocar de lanche com uma criança que tinha levado só uma banana! Arggghh!). Eu era obrigada a fazer grupo de trabalho com os coleguinhas que a minha mãe indicava e parar de brincar com outros que eu gostava mais. Eu era obrigada a convidar os coleguinhas que a minha mãe indicava para brincar lá em casa e para as minhas festinhas de aniversário…
Resultado: o que era obrigadação, virou lazer. Logo logo eu comecei a gostar mesmo dos coleguinhas que eu nem conhecia direito… e minha mãe provovou a “inclusão social” das crianças que eu discriminava na turma inteira… porque, os coleguinhas que eu influenciava também passaram a brincar com as crianças que eu passei a “gostar”.
CONCLUSÕES
Interessante? Certo? Errado?
Depois de viver essa situação, não sei se eu colocaria minha filha em uma escola pública só para ensiná-la a conviver com a diferença. Fingir que ela é exatamente igual em tudo em relação àquelas crianças quando, de fato, ela não é, não é educativo. 
Minha mãe acertou em corrigir o problema e me educou da melhor maneira possível. Sei que eu não sou, de maneira nenhum, uma pessoa preconceituosa. E sei que o sou porque ela me ensinou a não ser, durante todas as fases da minha educação.
No entanto, acho mais importante mostrar para a minha filha que, por mais que as pessoas sejam diferente, é preciso RESPEITÁ-LAS.
Respeitar a diferença, seja ela qual for.
Fingir que não existem diferenças é hipocrisia.
O importante é mostrar para nossos filhos que eles não são melhores, nem piores, porque são diferentes dos coleguinhas, por exemplo. É preciso ensinar a nossas crianças o respeito pela diferença.

IMPORTANTE:
Conheça a Campanha da Unifef, “Por uma infância sem Racismo” aqui!

Autoria de Dhemes Andersen